Acordei de sobressalto, com o estourar de rojões, na madrugada do último sábado. Ao tentar entender o que estava acontecendo, ainda meio dormindo, lembrei-me da festa que estava sendo promovida no Centro Clube pelos colorados aqui de Santo Antônio da Patrulha.
Como perdi o sono, comecei a buscar motivos e razões para que nós, gremistas, também pudéssemos promover uma festa deste tipo. Mas, comemorar o quê? Nem o “gauchão” o Grêmio tem para comemorar. Título importante então, nem pensar, isto parece ser uma utopia para os torcedores do Grêmio nos tempos atuais.
De repente, me veio uma idéia. Poderíamos comemorar mais um aniversário da “Batalha dos Aflitos”. Mas, tão logo voltei à razão, imediatamente exorcizei este pensamento. Os colorados iriam morrer de rir caso nós, gremistas, viéssemos cometer uma gauchada destas. Seria pagar mico na certa. O único gremista capaz desta proeza é o nosso atual presidente, o deputado estadual Paulo Odone de Araújo Ribeiro. Lembram do vexame que foi a colocação dos alto- falantes na pista do Olímpico para a festa de recepção ao Ronaldinho? Só um cara de pau pagaria este mico de comemorar novamente a “Batalha dos Aflitos”.
O nosso presidente, como todo o bom político, quando não tem nada de realizações para comemorar, parte para a entrega de troféus e homenagens seja lá quais forem. Tudo para encher páginas de jornal e desta forma manter-se na mídia, visando promoção pessoal. Mesmo com o barco à beira do naufrágio, o presidente do Grêmio, tal qual um pavão, desfila a sua vaidade sem se importar com o destino da embarcação.
A coisa anda em tempo de vacas muito magras lá pelas bandas do Estádio Olímpico. O nosso Grêmio está mais para Brandão do que para Kleber. Isto quer dizer que o negócio, atualmente, é rezar para permanecer na primeira divisão, tentar no máximo um Campeonato Gaúcho a cada dois ou três anos e mais nada. Atualmente, o Grêmio é um grande clube de futebol que conta com um time médio para pequeno, com uma diretoria medíocre.
Mas, voltando aos rojões. O que os colorados estariam comemorando? Ao amanhecer, fui tentar descobrir as razões de tantos rojões. Fiquei sabendo, através de um informante, um “Rádio Corredor”, o motivo de tal festejo. A festa seria em comemoração ao primeiro aniversário do terceiro lugar, obtido pelo Sport Club Internacional no Mundial de Clubes em Abu Dhabi.
Fui buscar mais detalhes da festança colorada e descobri que lá estavam presentes os ex- atletas e grandes campeões Caçapava e Claudiomiro, acompanhados de alguns jovens atletas do atual elenco colorado. Soube também que foram queimadas, rasgadas e pisoteadas algumas camisetas do Mazembe e igualmente queimadas fotografias do Kidiaba e do Kabangu. Por sugestão da maioria dos presentes, foi promovida uma vaia de cinco minutos para o Celso Roth, técnico do time na conquista do “título”, motivo maior da festa.
Um colorado mais exaltado pediu que, caso Santo Antônio da Patrulha venha a ser uma das cidades escolhidas para receber alguma delegação, por ocasião da Copa do Mundo de 2014, que fique proibida a entrada de qualquer cidadão do Congo em território patrulhense. Parece que, nos próximos dias, deverá ser protocolado este pedido junto ao Paço Municipal.
Outra muito boa que me contaram, foi a ideia de um colorado, ligado a uma concessionária de motos aqui do município, em levar três bonecos, cada um representando os ex-colorados Yarlei, Alex e Rafael Sobis. Todos eles, carrascos do colorado neste brasileirão. Os bonecos foram chutados, cuspidos e depois igualmente queimados como fizeram com as camisetas do “Campeão do Congo”. Este fanático torcedor não perdoa os três ex-ídolos, por quem ele tanto torceu na vida, terem vindo no Estádio Beira Rio e matado o time do seu coração. Isto foi demais para o seu coloradismo. Foi uma traição que ele jamais irá perdoar. Este mesmo torcedor colorado, também ligado ao E.C.Jaú, teria sugerido um jogo de desforra entre a equipe patrulhense e o Mazembe. Esta proposta teria sido rejeitada, por unanimidade, pelos presentes ao evento. Vai que o glorioso Jaú aplique uma goleada no campeão africano? Como é que eles vão explicar a derrota do colorado lá nos Emirados Árabes Unidos?
A única falha que aconteceu em toda a organização do evento foi a de não terem providenciado a vinda do troféu de terceiro lugar conquistado em Abu Dhabi, mas ficou a promessa de que, na próxima festa, esta falha será reparada.
No final da festa, aconteceu o estourar de rojões que serviram para comemorar, entre outras coisas, a vingança em cima dos seus algozes e de quebra acordar a gremistada que anda adormecida há muito tempo.
Parabéns colorados pela bonita festa! A flauta faz parte da nossa rivalidade e, justamente esta rivalidade é que nos mantém grandes, querendo vencer sempre todos os campeonatos que nós, gremistas e colorados, disputamos.
Oxalá um dia, o meu Grêmio volte a ser grande e volte a disputar campeonatos com chances reais de ser campeão como era no passado! Não apenas com o objetivo único de permanecer na primeira divisão como tem acontecido nestes já, longos últimos anos.

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