10 de novembro de 2011

Pedágios! Uma polêmica sem fim

O jornal Zero Hora, desta última terça-feira, 08 de novembro, trás a seguinte  manchete: “Empresas de pedágio admitem baixar tarifa para prorrogar contrato”.

A câmara temática que trata do assunto no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão), aprovou relatório recomendando a extinção dos atuais contratos, a partir de 2013, rejeitando qualquer possibilidade de prorrogação. 

Temendo a concretização desta medida, o consórcio Univias acena com uma proposta, no mínimo estranha para não dizer desonesta. Se, com uma tarifa atual de R$ 6,70 a Univias alega ter acumulado um prejuízo de um bilhão duzentos e cinquenta mil reais, como podem agora acenar com uma redução no preço do pedágio para R$ 4,40, prometendo ainda investir um bilhão de reais em obras e manutenção de estradas por ela administradas? Vai mais longe ainda a proposta da Univias. Aceitam extinguir a praça de pedágio de Farroupilha na rodovia Farroupilha-Caxias (ERS-122) em 2013.


Por qual razão a Univias quer continuar tendo prejuízo com a administração de estradas e ainda por cima fazer uma proposta que inclui mais custos? A Proposta soa estranha. Eles prometem fechar uma praça de pedágio, reduzir tarifas, ampliar investimentos, mas alegam prejuízos. Sinceramente não consigo entender como fecha esta conta. Tem caroço neste angu. Desconheço alguém que, mesmo operando no vermelho, queira investir ainda mais no seu negócio. Será que a Univias  está querendo aumentar ainda mais este prejuízo? Duvido. Mas duvido mesmo. Algo está por traz de tudo isso que nós, simples mortais, desconhecemos.

Com base na proposta feita pela Univias, posso afirmar que todos nós, usuários de estradas entregues a esta concessionária, estamos sendo explorados. O pedágio cobrado atualmente é de R$ 6,70. A nova proposta prevê uma redução da tarifa para R$ 4,40. Fica fácil concluir que estão metendo a mão no nosso bolso em R$ 2,30 toda vez que passamos a cancela de pedágio em uma estrada entregue a Univias.

Esta novela dos pedágios vem de longa data. Foi plataforma de campanha do senhor Olívio Dutra (PT) para o governo do Estado. Quem não lembra do refrão, “Brito é o pedágio, Olívio é o caminho”?  Mais tarde, já como Governador do Estado, o senhor Olívio Dutra (talvez o pior governador que o Rio Grande do Sul já teve, podendo perder apenas para o Pedro Simon (PMDB) que inclusive renunciou ao cargo para se tornar eterno Senador) em seu discurso de inauguração da rodovia RS-474, que liga Santo Antônio da Patrulha a Rolante e Taquara, disse, rodeado de petistas aqui da praça, que nesta estrada nunca seria cobrado pedágio. A alegação usada pelo ex- bancário que mandou a Ford embora do Rio Grande do Sul, era de que os recursos para a realização da obra saíram da caixa do Estado, portanto, dinheiro do contribuinte, não justificando com isso a cobrança de pedágio.
Acredito que os petistas que aproveitaram o momento de glória no palanque armado nas proximidades da nossa Casa da Colônia, em meio a grande foguetório, também não se esqueceram desta bravata do Olívio Dutra. Eu estava lá assistindo ao ato de inauguração da rodovia. Lembro muito bem da “companheirada” cheia de sorrisos ao lado do governador, aplaudindo o seu discurso interminável. Ninguém terá coragem de dizer que o Olívio não falou isso, nem o secretário dos transportes da época, o senhor Beto Albuquerque, ferrenho crítico da cobrança de pedágio durante o governo Antônio Brito (PMDB), teria coragem de desmentir o que disse Olívio Dutra naquela ocasião. 

Foi uma grande mentira que o Olívio nos aplicou, uma empulhação, bravata de político. A RS-474 atualmente é administrada pelo Univias e os usuários desta rodovia pagam R$ 6,00 nos dois sentidos para percorrer apenas trinta e quatro quilômetros.

É um absurdo o que pagamos de pedágio no Rio Grande do Sul. Para comprovar isto que estou afirmando, basta comparar o nosso Estado com o vizinho Estado de Santa Catarina. Nós gaúchos somos da terra do churrasco, do chimarrão e dos pedágios mais caros do Brasil.

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