4 de novembro de 2011

Melancias

A troca de partido por parte dos políticos atuais não espanta nem escandaliza a mais ninguém. Nos dias de hoje, é coisa banal, comum um político já ter trocado de partido duas, três e até mais vezes, sempre a bem do interesse e de acordo com as conveniências de cada um.

No entanto, num passado não muito distante, trocar de partido era coisa inaceitável. O político que cambiava de lado passava a ser desacreditado para todo o sempre. Jamais conseguiria inteira confiança dentro do novo partido. Era visto de soslaio pelos seus novos companheiros, assim como seus ex-partidários não perdoavam a traição de quem, por maior que fosse a razão, tivesse se bandeado para “o lado de lá”, como diziam os antigos. A carreira política de quem mudasse de partido estava acabada, o cara era tachado de “melancia” pelo resto da vida. 

Todos nós sabemos o significado deste apelido. Até ditados traduzem bem o que quer dizer melancia: “Com o andar da carroça, as melancias se acomodam”.  Melancias rolam para qualquer lado e se acomodam entre si, de acordo com as conveniências”

Trago este tema pelo grande barulho que está dando aqui na “Cidade Polo”, com acusações de parte a parte, em razão de algumas trocas de partido por aliados que compõem a coligação que venceu as últimas eleições.  

Acusações do tipo: “quem oferecer mais leva (ou compra)”; “traidor (na linguagem do futebol é traíra)”; “de não ter correspondido como secretário, por isso foi “saído”; “sempre incomodou o partido”, entre outras têm sido a tônica nas últimas edições dos jornais da cidade. É farpa para todo o lado, fogo cerrado mesmo. É 2012 mostrando a cara e anunciando como será a próxima campanha eleitoral aqui na “Cidade da Copa do Mundo de Futebol”, do aeroporto, do hotel estrelado e de tantos outros “sonhos” que não os tradicionais, doces e famosos aqui de Santo Antônio da Patrulha.

Um velho ditado, também muito usado no meio político do passado, cabe neste contexto: “Em baile de cobra, não se entra sem perneira”. Pois, este dito popular se adapta, perfeitamente, no quadro atual da política aqui na cidade. Trocar de partido a maioria já trocou, acusados e acusadores. Ocupar cargos, dentro das administrações, todos os envolvidos já ocuparam ou ocupam atualmente. A única coisa ímpar fica por conta de uma certa renúncia que, segundo explicação do partido do renunciante, já houve um pedido formal de desculpas para os eleitores patrulhenses. Ser eleito para cumprir um mandato e as propostas de campanha não é assumir compromisso com os eleitores que votaram nessas promessas? Um comandante abandonar o barco no meio do oceano não é trair os marinheiros que confiaram no comando?

 
Parece que nos dias de hoje é normal os políticos trocarem de partido. Diante das absurdas coligações existentes, percebe-se que esta troca pouco significa. Basta ver como foi composta a última coligação, aqui no município, para se concluir que as trocas de partido ficaram no mesmo palanque. As melancias se acomodaram com o andar da carroça, sempre de acordo com os interesses de cada um dos envolvidos. PMDB, PTB, DEM (ex PFL), PDT, PSDB, PT e o PSB formaram a “Mega Sena” mais um, na composição da “base aliada” que governa o município.

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