27 de outubro de 2011

Dupla provação! Além da doença, a “ambulancioterapia” humilhante e desumana

Há poucos dias, os políticos aqui da “Cidade Polo” inauguraram, com grande alarde, uma ponte no interior do município. Na verdade, um pontilhão que quase veio abaixo com o peso de tantos integrantes da atual administração capitalizando o grande feito, de olho nas próximas eleições. É assim, que os gestores públicos veem suas administrações, comemorando pequenas realizações como grandes feitos de seus governos. Porém, a realidade vivida pela população, as provações, as deficiências, principalmente na área da saúde pública, tornam a realidade bem diferente.


Nos últimos dias, dois grandes absurdos aconteceram aqui no Estado envolvendo o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e pessoas com necessidade de atendimento médico hospitalar públicos de urgência. 

No primeiro caso, uma gestante de Santa Vitória do Palmar foi levada até Novo Hamburgo, a 530 km de distância em busca de leito para receber seus gêmeos prematuros. O estado de saúde da mãe e dos gêmeos que permanecem hospitalizados, devido à demora no atendimento, é grave segundo notícias que temos. 

Casos como este são comuns no Brasil inteiro. Aqui mesmo no Rio Grande do Sul, em 2009, uma mulher teve que esperar dois dias, com a bolsa rompida, até ser transportada por 600 km de São Borja também para Novo Hamburgo. Nesta época, o Estado contava com 350 leitos neonatais do SUS e hoje conta com 370 leitos. Passados mais de dois anos, entre um caso e outro, o número de leitos aumentou apenas 5,7% para atender todo o território gaúcho. Ou seja, a situação que era ruim, ficou bem ruim.

E o que fizeram os políticos para resolver este drama pelo qual passam as gestantes que dependem da saúde pública para terem seus filhos? 

É fácil  responder: Não fizeram absolutamente nada até agora.

A família da gestante de Santa Vitória do Palmar, que dispõe de poucos recursos financeiros, ficou jogada à mercê da própria sorte em Novo Hamburgo, sem nenhum auxilio do Poder Público, único responsável pelo drama que estão vivendo estas criaturas. A mãe da gestante estava dormindo dentro de um automóvel;  seu genro, pai dos gêmeos, num banco de praça em frente ao hospital. Uma funcionária do Hospital, sensibilizada pela provação pela qual estavam passando estas pessoas, ofereceu a sua própria casa para hospedar estas vítimas do descaso da administração pública. A solidariedade de uma pessoa humilde foi a única ajuda que eles receberam até agora.


Quem será responsabilizado por todo este descaso? Os responsáveis, ou melhor, os irresponsáveis, deveriam ser afastados de suas funções e responder por crime contra a vida. Porém, os ocupantes de cargos de confiança estão “blindados”, sairão impunes como sempre. Assim como continuam impunes os “Mensaleiros” do governo Lula, a “Máfia dos Sanguessugas” (o caso das ambulâncias super faturadas), os quadrilheiros da “Operação Rodin” no escândalo no DETRAN aqui no Rio Grande; o Renan Calheiros, o José Sarney, o Zé Dirceu o Palocci e tantos outros. Assim como, talvez ficará impune o Orlando Silva (do PC do B), Ministro dos Esportes do governo do Partido dos Trabalhadores, acusado de receber dinheiro em caixa de sapatos na garagem do Ministério.              

A Constituição diz que todo o cidadão tem direito à saúde, segurança e educação públicas. No entanto, os políticos desrespeitam esta lei sem que nada lhes aconteça. Por onde anda o Secretário da Saúde (PDT/RS) do Governo do senhor Tarso Genro (PT/RS)? Como estas pessoas foram jogadas à própria sorte, vivendo este drama todo? Não ouvi, até agora, nenhum pronunciamento do Governador do Estado, nem do Secretário da Saúde sobre este caso.

O segundo caso expõe ainda mais o caos da saúde pública neste país. A Prefeitura de Canguçu informa que faz até cinco viagens por semana, transportando pacientes para diversos hospitais de Porto Alegre.  Quem viaja pelo Rio Grande do Sul pode constatar o quanto é comum ver ambulâncias de vários municípios do interior  rodando pelas nossas rodovias em direção aos centros maiores.              

Na última segunda feira, a rotina se repetiu normalmente. O micro-ônibus da prefeitura de Canguçu partiu, às três horas da madrugada, com destino a Porto Alegre transportando pacientes para serem atendidos nos hospitais da capital gaúcha. Este veículo acabou se acidentando em Guaíba por volta das 7 horas da manhã. 

O que era para ser uma coisa corriqueira, como afirma a Vice-Prefeita e Secretária de Saúde de Canguçu, Mariza Helena de Aquino: “- Essa é uma realidade que temos que nos submeter”, quase acaba em mais uma tragédia.

Como assim “realidade que temos que nos submeter”? Que estória é esta? E o direito dos cidadãos garantidos pela nossa Carta Magna como é que fica? 

O acesso a uma saúde pública decente e humana é direito constitucional de cada cidadão brasileiro. Não tem essa de “realidade” como afirma esta senhora.

Como sempre costumo dizer: Os políticos, seus apadrinhados e os pelegos vivem numa redoma de vidro, distantes da dura realidade em que vive a população.

É por estas e outras que inaugurar “pontilhões” e festejar entregas de veículos para as prefeituras, especialmente ambulâncias, não passa de cortina de fumaça para tapear o caos administrativo que nós vivemos em todos os níveis da administração pública deste país. Tudo isso sem contar com os desvios de dinheiro público na proporção de um escândalo por semana.

Devemos cultivar entre nós a capacidade de nos indignarmos com este quadro desumano a que estamos sendo submetidos pelos nossos governantes. Finalizo com uma citação do poeta cubano José Martì para reflexão de todos os leitores desta coluna: “Direitos não se mendigam, não se pedem.... direitos arrebatam-se"

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