O editorial do Correio de Santo Antônio, da última semana, aborda um tema bastante interessante envolvendo pequenos e grandes interesses.
Entendi que o contexto do editorial foi feito a partir de opiniões postadas na rede social Facebook, onde um secretário da atual administração sugere que alguém avise o pessoal do Correio de Santo Antônio, denominado pelo secretário de “Boletim do PP” e qualificando o jornal como “vulgo Correio de Santo Antônio”, que nas próximas eleições será permitido apenas um candidato a vice para cada candidato a prefeito. Escreve ainda o secretário, que toda a semana tem um novo nome para vice de um político ligado ao Partido Progressista, chamando a atenção de que o Lula está sem cargo e sugere que o jornal, na próxima edição, anuncie o ex-presidente como candidato a vice na chapa progressista. Finaliza o secretário, escrevendo: “credibilidade é tudo”.
A partir desta manifestação do secretário, surgiram inúmeras opiniões e muitas “curtidas”no Facebook, sendo que a maioria identificadas com a atual administração. A respeito deste tema não quis me manifestar através desta rede de comunicação por duas razões. Primeiro por não trocar mensagens com a pessoa do secretário, apesar de sermos amigos no Facebook. Diga-se de passagem, partiu do secretário o pedido de amizade que, prontamente, aceitei com muita honra. Segundo, porque entendo ser este um assunto local e, que não iria interessar a imensa maioria dos meus amigos desta rede. Mas, entende-se, perfeitamente, o motivo destas manifestações, pois já se encaminha a disputa para a sucessão no Paço Municipal e no Legislativo patrulhenses.
Sempre conversei com o diretor do Correio de Santo Antônio no sentido de manter a linha de seu jornal bem longe de paixões partidárias, onde notícias positivas e críticas sobre eventuais falhas das administrações sejam feitas, independente, do lado de quem esteja no poder, pois não é ético um jornal ficar dependente de quem quer que seja, oposição ou situação. Sou desvinculado partidariamente e, desta forma, fico bastante à vontade para criticar, na condição de cidadão e contribuinte. Jamais solicitei favor ou precisei de ajuda política para gerir a minha vida. Esta posição, o jornal Correio de Santo Antônio tem pleno e total conhecimento.
Transcrevo, textualmente, outro comentário do secretário, na rede social Facebook: “Defenderei sempre a liberdade de expressão, mas a legislação brasileira é clara: não é permitido a nenhum partido politico patrocinar veículos de comunicação. Quando desejar, poderá publicar seus próprios jornais, porém identificados.”
Diante desta colocação, fica claro que o jornal Correio de Santo Antônio, segundo o secretário, está sendo patrocinado ilegalmente e, portanto, desrespeitando a lei eleitoral. É simples. Basta apenas o senhor secretário oferecer uma denúncia, acompanhada de provas fundamentadas e deixar que a Justiça Eleitoral cumpra com o seu papel.
O que está acontecendo, na verdade, é o início da campanha política visando às eleições municipais do próximo ano. E a campanha está começando, aqui na terra da Fenacan, não pela questão de quem pode vir a ser a melhor proposta para administrar o município, mas, como sempre falo e escrevo, pelos pequenos e grandes interesses. Os que hoje ocupam cargos de confiança, veem na manutenção da atual coligação a possibilidade de um emprego por mais quatro anos. Os que estão na oposição torcem para, em mudando para a situação, virem a ocupar os cargos que serão distribuídos tão ou mais em abundância do que os atuais. Isto caracteriza que, antes de pensarem no bem comum, estão pensando em si e/ou nos seus.
Voltando ao editorial do Correio de Santo Antônio, da semana passada, afirmo que o jornal está coberto de razão quando defende a liberdade de expressar opiniões e mostrar a realidade que, muitas vezes, para preservar interesses, é escondida da população. Portanto, parabenizo o Correio de Santo Antônio pelo seu editorial. Credibilidade se constrói a partir de uma imprensa livre e soberana, que divulga suas matérias sem medo, mesmo doendo em quem quer que seja. A população tem o direito de saber tudo o que está se passando na administração pública de sua cidade. Cito um exemplo que aconteceu, recentemente, em nossa cidade. Houve uma briga entre vereadores de um mesmo partido que foi parar na Delegacia de Polícia. Um dos jornais que circula aqui na “Cidade Polo”, não quis, ou não ficou sabendo deste rumuroso caso, tanto que não noticiou nenhuma linha deste episódio. A pergunta que fica é “por que não noticiaram?”. Terá sido algum interesse, como, por exemplo, manter um cargo de confiança patrocinado por algum “cacique” político aqui da cidade? Ou, terá sido por desinformação, coisa que, realmente, não creio. Quem sabe é este o tipo de credibilidade que o secretário está procurando?
A pulverização de informações oxigenam a política de uma cidade. Querer uma imprensa “amiga”, “parceira” que compartilhe apenas as coisas boas que acontecem e que esconda embaixo do tapete tudo o que é ruim ou errado, é coisa de coronel, de quem governa para si e para os seus. Isto condena uma população inteira ao atraso.
Uma coisa, porém, deve ficar bem clara, a cultura política de Santo Antônio da Patrulha é a de não aceitar críticas à “corte” por várias razões que, certamente, passam pelos pequenos e pelos grandes interesses.
Nenhum comentário:
Postar um comentário