Os combates de luta livre marcaram época na Televisão Gaúcha, no final da década de sessenta no século passado. Lembro quando o Éldio Macedo, carinhosamente conhecido por “marrom”, anunciava, aos domingos à noite, diretamente do Ginásio da Brigada Militar em Porto Alegre, os grandes combates entre os famosos lutadores da época, como Gran Caruso, Fantomas, Tigre Paraguaio, Ted Boy Marino, Jangada, entre outros.
Ao que tudo indica a “casa do povo” aqui na “Cidade Polo” está reeditando as lutas livres que marcaram época no Estado.
Um dos jornais de Santo Antônio da Patrulha, desta semana, traz como manchete de capa o seguinte título: “Briga entre vereadores acaba na polícia”.
Lendo a matéria classificada como “lamentável incidente”, por tratar-se de uma briga entre dois vereadores da mesma legenda, onde um teria ameaçado “furar” o colega vereador e correligionário, me veio à lembrança o programa “RingueDoze”, até porque, de acordo com a matéria, este não foi o primeiro incidente envolvendo brigas entre os nobres edis desta legislatura, tendo também, em outras desavenças, resultado em denúncias na Delegacia de Polícia. Como tópico final, o jornal comenta o destempero no ambiente do Legislativo patrulhense que, para alguns, está extrapolando as linhas do bom senso, sinalizando com grande preocupação um desfecho desastroso para estas rusgas parlamentares.
No domingo, dia 24 de julho, o jornal Zero Hora traz a seguinte manchete: “Câmaras já criaram cento e oitenta e três vagas de vereadores no Rio Grande do Sul”. A matéria de ZH comenta que cresce, no interior do Estado, a mobilização da população contra a lei que permite mais quatrocentos e sessenta e nove cadeiras em cento e vinte e dois municípios. A reportagem diz ainda que quarenta e seis cidades adiantaram-se e aprovaram este absurdo aumento de vereadores. Segundo consta, o Estado terá para a próxima legislatura, no mínimo, mais cento e oitenta e três novos vereadores. O TSE ainda vai se pronunciar sobre o prazo final para mudanças nas câmaras em outubro ou até o início do período eleitoral.
Oremos para que este aumento do número de vereadores seja vetado pelo Tribunal. O jornal Zero Hora realizou um levantamento nas cento e vinte e duas câmaras, e segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), estas estão aptas a alterar o número de cadeiras.
Aqui na Cidade Polo, o número atual de vereadores é de nove, número que poderá passar para treze. A informação do jornal ZH diz que, por aqui, a “casa” está “estudando” ampliar o número de vereadores.
A questão não é de quantidade e sim de qualidade. Se, com nove, as brigas se sucedem em profusão, imagina-se que, com treze vereadores teremos que convocar o “Éldio Macedo” para reeditar aqui, na Terra da FENACAN, o Ringue Doze, que tanto sucesso fez no passado. Apenas com uma diferença, o programa do passado não acabava na Delegacia de Polícia.
Falando muito sério. É para isso que elegemos os nossos legisladores? Para promoverem brigas ao invés de legislarem e fiscalizarem o Poder Executivo? Quero lembrar a todos que cada um desses senhores custa muito caro para nós contribuintes e não é para disputarem lugar ao sol e muito menos para resolverem questões partidárias e pessoais que arcamos com todo este alto custo. Uma pergunta: episódios como esses não caracterizam quebra de decoro parlamentar? Ou, será que o espírito de corpo prevalecerá abafando este caso? E por último, como os vereadores querem exigir respeito da população, se eles próprios não se respeitam?
No ano que vem teremos eleições municipais e é muito bom que os eleitores patrulhenses fiquem atentos na hora de escolher os novos legisladores desta cidade.
Pensem nisto!

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