24 de abril de 2011

Uma situação preocupante

Neste feriado prolongado da Páscoa, aproveitei para descansar e viver a vida tranquila da praia de São Simão. Usufruir deste paraíso, longe das atribulações diárias, é para mim motivo de grande felicidade, daí a razão de eu ter me tornado um frequentador da praia durante as quatro estações do ano. A natureza, o ar puro e o sossego são energias positivas que ajudam a recarregar as minhas baterias para enfrentar a vida, os compromissos, enfim, a rotina.
 
Durante as minhas caminhadas diárias pela praia, pude observar mais uma vez a grande quantidade de lixo, na sua maioria composta de plástico, espalhado na areia entre as dunas e o mar. Impressiona o volume de detritos devolvidos pelo oceano a cada dia.  O mais revoltante disto é o fato dos ambientalistas, aqui da região, aparentemente, não se importarem com este problema, demonstrando indiferença com a questão do lixo espalhado por toda a orla marítima. Sabemos que esta é uma questão de educação do povo, mas afinal de contas, com quem fica a responsabilidade de recolher este lixo jogado de maneira irresponsável na natureza? Vale ressaltar, de maneira elogiosa, a atitude de um morador do Balneário Mostardense, senhor Nilo César, que realiza, de maneira voluntária, a limpeza da praia e das dunas, como tomamos conhecimento através de uma reportagem publicada no jornal Freguesia da Águas em sua edição passada. Posso afirmar que este cidadão, com esta atitude, já fez muito mais por esta região, do que muitos ambientalistas. Parabéns, senhor Nilo César, pela bela iniciativa! Oxalá, mais pessoas sigam o seu exemplo! 


 Um dos programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Greenpeace) fornece dados alarmantes a respeito do lixo despejado pela humanidade nos mares. Previsões de décadas atrás de que este lixo formaria arquipélagos estão se concretizando em todo o Planeta. Gigantescas camadas flutuantes de resíduos, especialmente de plástico, se formaram em várias partes do mundo. A maior delas pode ser vista do espaço e está situada no Pacífico Leste, entre o Havaí e a Califórnia, com um tamanho em torno de setecentos mil quilômetros quadrados, o equivalente a duas vezes o tamanho do estado do Texas.  Alguns ambientalistas acreditam que o total da “sopa” de pedaços de plástico visível e invisível, seja, aproximadamente, a área dos Estados Unidos inteira.

Ao redor do mundo existem vários lixões além deste do Pacífico Leste. Outros estão localizados no Pacífico Oeste, perto do Japão; nas Maldivas, no Oceano Índico e recentemente, próximo à Austrália foi descoberta, através da análise de água da região, outra imensa mancha cuja extensão e danos ao ecossistema ainda não foram calculados.  

 Grande Depósito de Lixo no Oceano Pacífico

Resíduos deste material plástico em decomposição formam partículas cada vez menores que são ingeridos por microorganismos afetando toda a fauna marítima. Qualquer animal que se alimente em regiões onde existe esta “sopa plástica” acaba contaminado e, em cadeia, através da pesca, acaba contaminando também o homem.

Para citar apenas um exemplo, o Peixe Lanterna, que habita águas mais profundas, é uma das espécies mais atingidas pela poluição dos mares. Por alimentar-se de algas, este peixe confunde o plástico em decomposição com seu alimento natural. Peixes desta espécie foram capturados e, após análise, ficou constatado alto grau de contaminação provocado pela ingestão de plástico em decomposição.


Várias destas gigantescas ilhas de plástico se formaram pelo lixo despejado nos mares pela humanidade. Do total deste lixo, 90% são de vários tipos de plástico, tais como: garrafas, copos, sacolas e redes de pesca entre outros. Deste total, 80% são de terra firme e os outros 20% são despejados por embarcações. O lixo, especialmente o plástico, está comprometendo a vida na Terra.  Uma verdadeira praga que há muito já fugiu do controle do homem. 

Antes da preocupação com as dunas, com a pesca artesanal e outras questões como impedir a remoção da areia que invade a nossa praia, temas bem mais sérios deveriam ser priorizados, tais como: a poluição dos mares, as queimadas, os desmatamentos, o comprometimento dos mananciais de água, o uso indiscriminado de venenos e agrotóxicos, os esgotos industriais despejados na natureza sem qualquer tratamento, a emissão de gazes poluentes causadores do efeito estufa. Todos estes fatores estão alterando o clima no Planeta.

A preocupação exagerada dos órgãos ambientais, aqui desta região, em controlar agricultores, fiscalizar a pesca artesanal, vigiar o corte ou uma simples poda de maricás não passa de pirotecnia diante deste quadro assustador e trágico que ameaça a vida no Planeta.      

O radicalismo de alguns órgãos ambientais, impondo seus conceitos sobre meio ambiente de forma unilateral não pode continuar.  A questão do meio ambiente, como um todo, diz respeito ao futuro da vida no Planeta e o tema é bem mais complexo do que a simples retirada das areias que circundam a igreja da praia de São Simão.

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