20 de abril de 2011

A recusa do senador

Ao ser abordado em uma blitz da Lei Seca, na madrugada de domingo, dia 17 de abril, no Rio de Janeiro, o senador e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB-MG) estava dirigindo a sua Land Rover com a carteira de habilitação vencida e recusou-se a fazer o teste do bafômetro.
 
O senador das “Minas Gerais” não foi a  primeira “celebridade” a ter problemas com a Lei Seca do Rio de Janeiro. A operação Lei Seca é uma campanha educativa e de fiscalização de caráter permanente que abrange os bairros da capital fluminense, Grande Rio e Baixada Fluminense. Antes do político mineiro, foram apanhadas nas blitz o ex- jogador de futebol e atual Deputado Federal, Romário; o “atleta”, jogador de futebol, Adriano; o cantor Toni Garrido, o ator Eri Johnson e as atrizes Priscila Fantin e Camila Rodrigues. Todos esses, a exemplo do que fez o senador, se negaram a fazer o teste do bafômetro. 
 
Em nota, a assessoria de imprensa do político usa como desculpa o fato de que uma vez constatado o vencimento da carteira de habilitação, “foi” providenciado outro motorista para conduzir o veículo. O que a assessoria do senador não explicou foi a razão de ele ter se negado a fazer o teste do bafômetro. Esta da habilitação vencida não cola, não serve como argumento para ter deixado de se submeter ao teste. No momento em que foi parado na blitz, quem dirigia o veículo, segundo consta, era o cidadão Aécio Neves, razão pela qual deveria ter feito o teste. 
 
Sendo o senador um homem público e tendo certeza de que não ingeriu nenhuma bebida alcoólica antes de dirigir, não vejo razão nenhuma para recusar-se a fazer o teste do bafômetro, muito pelo contrário, serviria de exemplo para todos os motoristas brasileiros. Fazer uso, através da sua assessoria, de uma desculpa esfarrapada como fez o senador, não fica bem para quem já foi governador de um estado politizado como é Minas Gerais. Não fica bem para um senador e muito menos, para este que sonha chegar à Presidência da República. A não ser que ele se considere uma pessoa especial, em função dos cargos públicos que ocupou e ocupa até hoje, julgando-se por esta razão, diferente dos outros motoristas, parados na mesma blitz que, mesmo estando com as habilitações em dia, submeteram-se ao bafômetro como qualquer mortal. 

 
Será que o senador, temendo o resultado, usou do seu prestígio, para não fazer o teste?
Além do mais, para alguém que vive cercado de vários assessores e serviçais pagos com o dinheiro dos contribuintes, não pode de maneira nenhuma alegar descuido quanto à data do vencimento de uma simples carteira de habilitação. Pessoas como Aécio têm suas agendas, compromissos e atividades totalmente entregues a assessores que cuidam de tudo a tempo e a hora, razão pela qual não pode alegar esquecimento ou descuido de qualquer ordem.
Abordo este tema em razão de uma prática muito comum usada aqui no Brasil, quando se trata de gente famosa quando, usualmente, usam o recurso do: “você sabe com quem está falando?” ou “O que vocês estão pensando?” 
 
Pensando bem, será que alguém que dirige um veículo com a carteira de habilitação irregular, tomando conhecimento desta falta grave só após ter sido parado numa blitz e se recusa a fazer o teste para provar que estava dirigindo sem ter ingerido nenhuma bebida de álcool, pode vir a ser uma pessoa confiável para dirigir o país?
 
Da minha parte, respondo que não confio em quem toma atitudes como estas que tomou o neto do saudoso Tancredo de Almeida Neves. Um homem público como Aécio Neves deve sempre dar o exemplo, em qualquer atividade, dentro ou fora da vida pública. Ter uma conduta reta ante o próprio julgamento é indispensável para a imagem pública de quem quer um dia chegar ao posto mais alto desta grande nação.  
 
Esta da carteira vencida e da recusa ao teste não são atitudes recomendáveis, para ninguém, muito menos para um político do nível do senador mineiro, escolado na vida pública e na política, como poucos neste país.

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