Com o Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) lotado por alunos e professores, sua excelência o Senhor Governador do Estado do Rio Grande do Sul, em palestra aos estudantes, defendeu, em aula magna, uma maior “tolerância” em relação ao uso da maconha. Também reconheceu que não foi por falta de vontade que ele não experimentou maconha na juventude. Foi mais longe, o nosso governador, disse nunca ter visto uma pessoa matar alguém por ter fumado um cigarro de maconha.
Há bem pouco tempo, um ministro do governo Lula participou, no Rio de Janeiro, de uma passeata em prol da liberação da maconha. Em qualquer país sério este ministro seria demitido na hora. Apenas para lembrar, o atual governador gaúcho era Ministro da Justiça deste mesmo governo.
Mas, pelo Amor de Deus, uma pessoa com a representatividade de um governador do Estado, em palestra dirigida para um público composto na sua imensa maioria de jovens afirmar que a “Cannabis sativa”, nome científico da planta da maconha, é diferente da heroína e que muitos especialistas afirmam que a maconha faz menos mal que o cigarro, trata-se de um dos maiores absurdos que eu já vi em toda a minha vida. Se, isto não é uma apologia à maconha, então o mundo está virado de patas para o ar definitivamente.
Ver uma autoridade do porte de um Governador de Estado, com a responsabilidade da qual está investido, dizer que a regulamentação do uso de drogas deve ser precedida de estudos científicos que avaliem os riscos para a saúde é outra ideia que eu não posso aceitar. Toda a sociedade sabe que o consumo de drogas, inclusive a maconha, causa vários tipos de males, desgraças de toda a ordem, famílias destruídas, sofrimento sem fim para aqueles que têm filhos, irmãos ou parentes próximos que estão mergulhados nesta “viagem rumo ao fim”, onde só o tráfico sai ganhando.
Numa colocação beirando a deboche, o governador diz para uma platéia perplexa, sobre a maconha: “Dizem que é saboroso”. Entre citações e referências a pensadores como Marx, Immanuel e Heidegger, ao responder uma pergunta sobre o tráfico de drogas, o governador explicou que o dinheiro da droga se imiscui em todas as esferas da sociedade, transformando-se em capital industrial, financeiro e até em obras de benemerência.
Quero lembrar que no ano passado o então candidato, hoje Governador do Estado, visitou a FENACAN, em Santo Antônio da Patrulha. Na ocasião, postei-me de costas quando o candidato, em sua peregrinação à caça de votos, passou pelo local em que me encontrava. Fui criticado pela atitude que tomei. Tomei e não me arrependo. Afinal de contas, as diferenças ideológicas que nos separam são oceânicas. Fico mais aliviado ainda por esta minha atitude, agora, quando tomei conhecimento desta infeliz aula magna, ou palestra proferida pelo Governador em uma Universidade Federal.
De forma alguma aceito qualquer defesa ou argumentação em favor da maconha como os jornais publicaram no dia seguinte à manifestação de quem ocupa um cargo de tamanha responsabilidade. Espero apenas que esta “aula” magna seja esquecida por todos, principalmente pelos jovens que lá estavam. Prometo tentar esquecer deste triste episódio, mas, em condição nenhuma posso perdoar alguém que, na contramão da luta que a sociedade trava para extirpar as drogas do seu meio, faz uma apologia a esse mal que está devastando a sociedade.Para finalizar, uma pergunta: Qual teria sido a intenção do Governador em ser tão democrático diante de uma plateia composta de jovens em sua maioria, em relação à maconha? Qual a intenção e o que poderia estar por trás desse posicionamento?

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