Ao Jornal “Freguesia das Águas”.
Há dois anos, escrevi uma coluna com o título “Absurdo Poder”, tratando da questão meio ambiente aqui nesta região e que foi publicada neste prestigioso jornal.
Volto a tratar do mesmo tema com o título “A Guerra da Areia” e gostaria de ver, novamente, este artigo publicado no Jornal “Freguesia das Águas”, para que a população possa opinar a respeito deste importante tema.
Sem mais, agradeço a atenção dispensada.
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A Guerra da Areia
Tenho acompanhado a verdadeira guerra travada, aqui na região de Mostardas, entre ambientalistas e qualquer pessoa que, por uma razão ou outra, vive, veraneia ou produz na área em torno do Parque Nacional da Lagoa do Peixe.
Na condição de veranista da Praia de São Simão e preocupado com a vida futura do Planeta, quero tecer alguns comentários a respeito do polêmico tema: meio ambiente e sua preservação.
No final do mês de janeiro, saí de São Simão para ir até Mostardas, percorrendo os vinte e poucos quilômetros da esburacada rodovia RST101, uma demonstração clara do descaso e da falta de respeito dos gestores públicos para com os contribuintes que bancam a conta. Na volta, fui até ao Balneário Mostardense e, de lá retornei para São Simão pela praia. O que era para ser um passeio com o objetivo de apreciar a natureza foi, para mim, de muita tristeza e revolta. Ver a praia com muitos animais marinhos, de grande porte, mortos, exalando um cheiro insuportável, convenhamos, não pode deixar ninguém feliz e muito menos com vontade de apreciar qualquer coisa. E o que dizer do lixo espalhado, pelas areias entre as dunas e o mar, principalmente plástico.
Afinal de contas de quem é a culpa?
Lembro de que Jean Michel Cousteau, visitando a Lagoa do Peixe, há algum tempo, fez o trajeto de volta pela praia. Ficou extasiado com a beleza natural da região e ao mesmo tempo horrorizado com a quantidade de lixo ao longo do caminho. Impressionado, perguntou ao repórter que o acompanhava: “Por que não providenciavam na limpeza deste paraíso?” A resposta do interlocutor foi a de que sujavam novamente. Jean Michel retrucou: “Se é assim, limpem novamente.”
Nota-se que o lixo espalhado por toda a parte, alvo da preocupação do filho de Jacques Cousteau, não preocupa nem incomoda os senhores ecologistas da região, que preferem cuidar das areias em torno da Igreja de São Simão e vigiar produtores e pescadores punindo a todos com o maior rigor.
A pergunta que faço é mesma de Jean Michel: “Por que não limpam a beira da praia? A quem compete executar este serviço de limpeza e recolhimento do lixo?"
Entendo que a retirada do lixo urbano é tarefa das prefeituras que cobram o IPTU, juntamente com a taxa de recolhimento do lixo, sendo este serviço pago pelo contribuinte. Acompanho a coleta do lixo doméstico aqui na nossa praia. Ela é feita em uma caçamba “adaptada” para o serviço, veículo impróprio para este tipo de trabalho. Como sugestão, o dinheiro arrecadado com multas aplicadas e taxas de licenciamento ambientais poderia ser utilizado para custear a limpeza da praia fora dos perímetros urbanos.
Entendo que a retirada do lixo urbano é tarefa das prefeituras que cobram o IPTU, juntamente com a taxa de recolhimento do lixo, sendo este serviço pago pelo contribuinte. Acompanho a coleta do lixo doméstico aqui na nossa praia. Ela é feita em uma caçamba “adaptada” para o serviço, veículo impróprio para este tipo de trabalho. Como sugestão, o dinheiro arrecadado com multas aplicadas e taxas de licenciamento ambientais poderia ser utilizado para custear a limpeza da praia fora dos perímetros urbanos.
Porém, não pode passar de forma despercebida, por nenhum de nós, a falta de respeito e amor à natureza da população quanto ao cuidado e a preservação do meio ambiente.
Se, por um lado os ambientalistas estão preocupados com as dunas, muito mais do que com o lixo espalhado sobre elas, muitos moradores, ao realizarem obras em suas casas, podas de árvores e até mesmo quando se desfazem de sofás, fogões, armários e camas entre outras “tralhas”, sem o menor pudor, jogam estes entulhos nos vários lixões espalhados pelas areias de São Simão. Para ilustrar o que estou dizendo, na semana passada, acompanhei uma camionete carregada com palanques velhos de cimento, e, arrastando um bloco de concreto, sem o menor constrangimento, os ocupantes deste veículo desovaram estes entulhos em meio a outros tantos já existentes nas areias bem na entrada da praia. Por ironia, neste mesmo lugar, existe uma placa colocada pela diretoria do clube local com os seguintes dizeres: “MANTENHA A PRAIA LIMPA. PRESERVE O MEIO AMBIENTE.”
Verdadeiramente, quem está preocupado com o lixo aqui em nossa praia? Ou por acaso, ambientalistas, veranistas e moradores de São Simão, não estão vendo e convivendo com os vários lixões espalhados aqui neste nosso paraíso? A beleza das areias está sendo ofuscada pelo lixo de todo o tipo. Francamente, esta paisagem não é o cartão de visitas que gostaríamos de apresentar e sim a demonstração do descaso e da falta de respeito dos homens para com a natureza.
Enquanto as areias tomam conta da igreja, aqui em São Simão, sem que ninguém possa fazer nada para deter o seu avanço, dunas foram destruídas em outras praias com maior glamour, para que em seus lugares fossem construídos condomínios luxuosos. Afinal de contas, que legislação é esta que permite a retirada total das dunas em outros lugares e proíbe, aqui na nossa praia, a simples remoção da areia que toma conta da Casa de Deus? Por acaso, as dunas de lá são diferentes das dunas de São Simão?
Meio ambiente não se defende com radicalismos ou com ranços ideológicos. Defender e preservar o meio ambiente diz respeito à evolução espiritual de cada um. Está na alma. É a consciência de que devemos deixar um mundo limpo e mais evoluído para as gerações futuras, pois isto não é propriedade exclusiva dos ambientalistas.
Os mesmos defensores dos maricás e das dunas atulhadas de lixo ficam cegos para as grandes queimadas e os desmatamentos indiscriminados que acontecem por este país afora. Enquanto, aqui nesta região, desfilam seu absurdo poder ameaçando a quem produz, gera riquezas, empregos e paga pesados impostos, em outras regiões do país, florestas são dizimadas, mananciais de água são poluídos sem que nenhum desses arautos defensores do meio ambiente, faça nada para deter esta destruição.
Se, por um lado, não podemos admitir a mortandade de animais marinhos, com mais razão, não podemos aceitar a morte de seres humanos morrendo em filas do SUS, emergências médicas lotadas e exames médicos com espera ultrapassando dois anos.
Enquanto, gente bem equipada com aviões, helicópteros, veículos e agentes furiosos, ameaçando com prisão a quem ousar tocar nas areias das dunas atulhadas de lixo, o governo, feroz arrecadador, não cumpre com o que reza a constituição e sonega da população o direito à saúde, à segurança e à educação públicas como reza a nossa Carta Magna.
Enquanto, produtores rurais arriscam tudo para produzir, adquirindo insumos carregados de impostos, pagando juros escorchantes aos bancos, muitas vezes obrigados a vender estes produtos abaixo do custo de produção para honrar seus compromissos, forem tratados como foras da lei por quem nada produz e radicaliza seus conceitos sobre meio ambiente como sendo os únicos donos da razão, impondo a todos o seu poder absoluto e total, a “Guerra da Areia” não terá vencedor de lado nenhum e apenas um derrotado: O meio ambiente.
A propósito, o governo já cumpriu com sua parte indenizando todos os proprietários que tiveram suas terras desapropriadas para a criação do “Parque Nacional da Lagoa do Peixe”? E, a tal área em torno deste parque? Qual a sua delimitação? Por certo, não chega a Capão da Canoa, Atlântida ou Xangri-Lá, pois, nestas praias, os condomínios de luxo ocupam o lugar das dunas e de algumas lagoas que por lá existiam.








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