1 de setembro de 2010

Fi-lo porque qui-lo!

Desde que vim para Santo Antônio da Patrulha, num mês de agosto do já distante ano de 1989, sempre participei como expectador, apoiador e algumas vezes como um dos patrocinadores da Moenda da Canção.
Quando Moenda e Fenacan uniram-se numa única festa, a exemplo das festas bávaras que acontecem no mês de outubro nas regiões de colonização alemã, nós, aqui em Santo Antônio da Patrulha, passamos a ter, então, as festas de agosto. Desejo sempre o sucesso total da Fenacan e da Moenda da Canção, premiando com isso, o esforço de todos aqueles que trabalham e lutam com muitas dificuldades financeiras para realizarem estes grandes eventos. Chego a contar os meses e os dias para a data deste acontecimento cultural, onde a alegria fica estampada no rosto da população que, com orgulho e contentamento, lota o Parque Caetano Tedesco.
Este ano não foi diferente. Como sempre faço, me mudei para lá. Vivi intensamente os belos momentos da festa. Os shows musicais e culturais que desfilaram nos cinco dias do evento, não foram poucos e todos de ótima qualidade. Desde a quarta-feira, até o encerramento no domingo, quando da premiação dos vencedores da 24ª Moenda da Canção, procurei aproveitar o máximo. Paralelo a isso o clube de serviço ao qual pertenço, sendo atualmente o seu presidente, realizou um brechó num espaço cedido pela administração municipal, parceira deste clube em várias atividades sociais e culturais no nosso município, principalmente na área da educação.
Ao ler o que escreveu um colunista deste jornal, na edição passada, senti-me na obrigação de responder, com veemência, ao que foi escrito por ele. A forma indignada como que este senhor protesta em sua coluna, dá-se pela atitude que tomei, de postar-me de costas, quando passava pelo local onde me encontrava, um candidato ao Palácio Piratini, com largo sorriso, acompanhado de correligionários e simpatizantes, cumprimentando a todos de estande em estande.
Toda a vez que um oportunista com a clara intenção de capitalizar votos aproveitando-se de eventos como o da semana passada, tendo como objetivo único,  ambições eleitoreiras, vou proceder da mesma forma, pois não tolero hipocrisias nem falsidades. Fiz e não me arrependo, faria de novo. Como diria o finado presidente Jânio Quadros: “Fi-lo porque qui-lo”.  Fosse uma autoridade que nos visitasse investida no seu cargo, independente da sua cor partidária, não tomaria a mesma atitude. Neste caso, o respeito ao cargo e à instituição ali representada, estaria acima de tudo. Bem diferente da militância de alguns partidos de esquerda que não respeitam instituições nem cargos, promovendo, em algumas situações, todo o tipo de baderna quando os governantes não são alinhados com suas ideologias.
Para o conhecimento do nobre colunista, por mais de uma vez, o atual candidato em questão cruzou por mim. Em uma destas ocasiões, num corredor de supermercado em Porto Alegre, mais precisamente no Bairro Higienópolis, um tinha que ceder o espaço para a passagem do outro. Por um principio de educação, coube a mim ceder a passagem a este senhor. Nesta oportunidade, ele não era candidato a nada e não havia razão nenhuma para cumprimentar um estranho qualquer, dentro de um supermercado e nem ao menos dignou-se agradecer a cortesia feita por este estranho. Vir agora, em plena campanha política, na qual é candidato ao Governo do Estado, com sorriso cínico, fazendo questão de me cumprimentar, é hipocrisia, para não dizer algo pior. Será que toda esta indignação do colunista não passa pela paixão partidária e, obviamente, pelo interesse no resultado do pleito? Este é um dos aspectos que evidencia toda a distância que temos um do outro. Não sou comprometido com nenhum partido, não preciso andar carregando bandeiras nem distribuir panfletos pelas ruas da cidade. Como cidadão, exijo honestidade na vida pública de tudo e de todos. Este é um direito que todo o cidadão brasileiro tem e deve exercer.
Outra coisa é preciso que seja dita nesta hora. Como disse, gosto muito das nossas festas de agosto, não perco nenhum momento de ambas e não lembro de ter visto o candidato em questão em outras destas festas, a não ser quando em disputa de algum cargo eletivo, donde concluo que ele gosta mesmo é de voto, não da festa. Só para refrescar a memória do colunista, não o vi por aqui, no mês de agosto, em anos anteriores quando não há eleições. Quem sabe a saudade de Santo Antônio da Patrulha e do povo patrulhense  se manifeste neste senhor, somente em tempos de campanha política e sempre na condição de candidato? Não parece estranho isso?
Como o texto escrito pelo indignado formador de opinião passou da área política, entrando no ataque pessoal, vou responder a estas agressões. Em primeiro lugar, represento o meu clube em reuniões de trabalho e solenidades oficiais para as quais sou convidado, tendo que me reportar aos meus companheiros de clube, aos dirigentes da entidade mundial e ao distrito ao qual pertenço.  Não me consta que devo seguir a opinião ou me reportar a colunista de jornal. Em segundo lugar, sempre usei e vou continuar usando na lapela, distintivos das instituições as quais pertenço. Desafio o colunista a provar que eu tenha desonrado alguma destas instituições em qualquer momento de minha na vida.
Diferentemente do que está, maldosamente, escrito na coluna, o meu modo de agir foi, é e continuará sendo sempre o mesmo. Não sou daqueles que se escandalizam apenas com as safadezas praticadas por adversários políticos, procurando minimizar, ou até mesmo esconder, as falcatruas praticadas por correligionários. Por falar nisso, um dos candidatos citados na coluna, como participante da comitiva, foi manchete nos jornais da semana passada, inclusive em jornal local. Acontece que este senhor está passando por enormes dificuldades para ter homologada a sua candidatura, como já aconteceu nas eleições municipais passadas, onde teve negado o seu registro de candidato a prefeito de um município bem próximo daqui. É o que está sendo, popularmente, chamado pela imprensa nacional de candidato “ficha suja”. Questões de justiça, problemas dele, do seu partido e dos tribunais eleitorais. A única verdade até agora é a batalha que está travando para provar que é um “mãos limpas”. Justamente este atrevido, de forma arrogante, “enfiou a cara” dentro do estande em que me encontrava, falando que, em votando nos candidatos do seu partido não faltaria mais comida. Quero dizer que, para quem trabalha, comida nunca falta, o que está faltando, na verdade, é saúde, segurança e educação em todos os níveis. Como voluntário de um clube de serviço tenho visto muita fome aqui mesmo em Santo Antônio da Patrulha. Acontece que uma mentira dita repetidamente, toma ares de verdade. Assim foi na Alemanha  nazista com a propaganda enganosa arquitetada, habilmente, por Joseph Goebbels.
Esta é mais uma razão da importância de um clube de serviço, que cada vez mais cumpre o papel que deveria ser do Estado. Distribuir comida nada mais é do que dar esmolas.
Certamente, já esperava o tipo de manifestação que foi feita por este colunista. Quero apenas dizer a ele que, pouco importa sua opinião a meu respeito. O que realmente importa para mim é o meu trabalho, os meus amigos, a minha participação e o meu desempenho dentro do clube de serviço ao qual pertenço; enfim a minha consciência e a certeza do dever cumprido. Se os dirigentes maiores do meu clube de serviço estão plenamente satisfeitos com minha atuação, convenhamos, não vou levar em conta opiniões recheadas de paixões e ranços ideológicos.

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