3 de março de 2011

Fim de veraneio em três tópicos

                                                         I
                                                
         O mês de março chegou. Com ele, o final de mais uma temporada de veraneio, aqui no “Paraíso de São Simão”.
Durante muito tempo, ouvi pessoas de todos os seguimentos da sociedade, dizerem que o ano, no Brasil, começa em março, ou melhor, após o Carnaval. Pois, esta afirmação é totalmente falsa. Na verdade, o ano, para todos nós contribuintes, se inicia logo após estourarem os últimos fogos de artifício saudando o primeiro de janeiro. Junto com o Ano Novo, em meio às mensagens que recebemos desejando-nos paz e prosperidade, recebemos também os carnês de IPTU e IPVA. Isto sem dizer que os fogos, a ceia e tudo o mais que consumimos nestas comemorações são recheadas de impostos que giram em torno de 39% embutidos no preço final de tudo o que adquirimos.  Afinal de contas, temos uma corte para sustentar. A rainha, os amigos da rainha e os que a rainha compra com cargos e afagos, práticas tão comuns na vida pública deste país nos dias de hoje. E a base de apoio parlamentar? O que dizer? Esta é formada pelos deputados e senadores eleitos por partidos que foram derrotados ou são “nanicos”, em eleições majoritárias, e que vendem este apoio parlamentar em troca de cargos, empregos (tetas) para seus caciques, cabos eleitorais e candidatos derrotados nas urnas. A política brasileira, infelizmente, virou uma grande colcha de retalhos, onde os meios justificam os fins. Os cartões corporativos que o digam. Alguém tem que pagar a conta toda e, este alguém, somos nós contribuintes.
Por essas e outras, o nosso descanso nunca será pleno e total, até mesmo estando em nossa sossegada e tranquila São Simão.

                                             II
              Também em férias, o nosso pensamento e as nossas preocupações continuam. Os comerciantes preocupados com as vendas, neste período, quando o movimento diminui; os agricultores, igualmente, não conseguem deixar de olhar para a terra e para o céu, pois o arroz, uma das principais culturas desta região, sempre foi uma cultura de risco, risco este que continua após a colheita, pela insegurança do mercado e a incerteza de um preço justo.  Todos, sem exceção, que fazem parte das forças vivas que constroem este país, continuam tendo suas preocupações com os seus negócios, durante o seu período de férias.
Este ano, em especial, obrigatoriamente, tenho que ressaltar dois pontos muito significativos que observei durante o largo tempo em que permaneci em São Simão. Do Natal ao Carnaval. O primeiro, de forma muito positiva, refere-se às atividades sociais do São Simão Praia Clube que, pelo dinamismo de sua atual diretoria, ofereceu a todos, sócios e frequentadores desta praia, uma excelente programação que foi de total sucesso. Aproveito a oportunidade, nesta coluna, para cumprimentar esta diretoria que ousou inovar. Parabéns, parabéns mesmo!
 O segundo ponto, um velho problema que teima em continuar perturbando a vida desta gente tão boa aqui desta região. Este tema foi abordado na coluna por mim escrita, intitulada “A Guerra da Areia”.  Até quando estes ambientalistas vão continuar perturbando o sossego e a paz de todos os que aqui vivem, trabalham ou, simplesmente, veraneiam. A continuar o “ranço” ecológico deste pessoal, não vamos nos surpreender se, num próximo veraneio, nos impuserem uma “taxa ambiental” para termos acesso às nossas casas aqui em São Simão. E, como isto não está muito longe de acontecer, quem sabe, num segundo ato de poder total, vão nos cobrar pelo ar que respiramos na área em torno do tal Parque Nacional da Lagoa do Peixe, já que, segundo consta, nós fazemos parte desta “área em torno”
             Assim é a vida! Vivemos num mundo de expiações e provas, porém, pelo menos, temos que ter o direito de viver momentos de felicidade e, estes momentos se manifestam aqui neste abençoado paraíso de São Simão.

                                                          III

            Para finalizar, deixo um alerta aos ambientalistas aqui da região. Cuidem-se para não se tornarem ridículos em seus conceitos sobre Meio Ambiente, tal como aconteceu com o deputado federal tucano Fábio Feldmann (SP), que, nos anos 90, apresentou um projeto de lei para implantar “processamento químico e elétrico” em abate de animais nos frigoríficos. Em aparte devastador, o atual vice-governador de Alagoas José Thomáz Nonô (DEM), conhecido por sua felina língua, perguntou em tom debochado ao ambientalista tucano: “Vamos ter cadeira elétrica para boi? Como faremos com o peru? Será crueldade matar a vítima embriagada?” As gargalhadas do plenário sepultaram o projeto do deputado ambientalista.
            Pensem nisso, senhores ambientalistas! Bom senso e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

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