14 de maio de 2010

Uma Questão de Educação

Tenho observado o comportamento de motoristas, tanto nas cidades quanto nas estradas comprovando que o caos do trânsito no Brasil é pura falta de educação. Ao irem ao supermercado, por exemplo, os motoristas deixam espalhados pelo estacionamento, os carrinhos usados para transportar suas compras, atrapalhando outro cliente e até causando dano a algum descuidado que acaba batendo seu veículo neles, além de ficarem bloqueando acessos de outros automóveis ao estacionamento. Isto é uma questão de pura falta de educação. Peço aos leitores que observem nos supermercados da nossa cidade o comportamento de parte da população em relação a este assunto.



Quero relatar também a falta de educação dos motoristas, dessa vez nas estradas e para ilustrar vou contar dois acontecimentos que observei vindo de Porto Alegre para Santo Antônio. O primeiro foi na auto-estrada quando acompanhei o comportamento de duas madames que viajavam em um automóvel Mercedes Bens classe A, de cor preta. Durante o trajeto acompanhado por mim, a caroneira lanchava e jogava na rodovia, a lata da bebida que consumia e a embalagem de um conhecido fast-food para fora do veículo e, sem o menor pudor, sempre tomando o cuidado de fechar o vidro para poder se deliciar com o confortável ar condicionado, que equipa esses veículos de luxo. Em outro dia, vindo de Glorinha para cá, segui um Chevette, caindo aos pedaços, com seus vidros abertos, tendo a bordo, provavelmente uma família, pai, mãe e filhos. Da mesma forma das madames do Mercedes, também atulhavam a RS30 com todo o tipo de lixo que resolviam jogar para fora da lata velha que os conduzia. Comprova-se então que não é a condição social que dita normas de educação.




Creio ser de conhecimento dos leitores o volume de lixo recolhido pela concessionária que administra a auto estrada Porto Alegre – Osório, que só na última operação realizada recolheu mais de uma tonelada de resíduos jogados ao longo da rodovia. Comprova-se com esses fatos a pura falta de educação de motoristas e passageiros, sejam eles das classes A, B, C ou D.



Outra questão de falta de educação é o volume do som dos automóveis que somos obrigados a conviver aqui em Santo Antônio da Patrulha, parecendo que todos têm a obrigação de ouvir, se é que é permitido ouvir, as verdadeiras máquinas de fazer barulho que rodam a qualquer hora do dia ou da noite na cidade. E quando um veículo desses é recolhido pela Brigada Militar, pais, mães e amigos influentes da família, tentam pressionar as autoridades para liberarem o automóvel “do guri”, dando aval para a má educação e a falta de respeito para com os outros.



Pessoas mal educadas no convívio social são as mesmas que ao dirigir um veículo não respeitam os limites de velocidade, a sinalização, consomem álcool e outras drogas, que matam e morrem pelas estradas brasileiras.



Essas e outras tantas comprovações de falta de educação no trânsito, que encheriam páginas inteiras de relatos, têm como resultado a chacina que a cada fim de semana tomamos conhecimento através da imprensa. O número de mortes no trânsito é alarmante, porque os motoristas são verdadeiros suicidas e homicidas, pois conduzem seus veículos transformando-os em armas contra outros motoristas, dando como resultado a macabra manchete que contabiliza o número de vidas ceifadas por pura falta de educação do motorista brasileiro. Somente nos feriadões de Natal e Ano Novo, foram quase sessenta mortos no Rio Grande do Sul, isto dá a dimensão do número de dementes conduzindo veículos pelas estradas.



Pensei em escrever esta coluna porque logo em seguida teremos mais um grande feriadão, o de Carnaval. As manchetes já podemos antever, falta só o número de quantas vítimas teremos a lamentar. É triste, muito triste, mas infelizmente é a pura realidade, que somente poderá ser revertida através da responsabilidade e da educação que falta para os motoristas brasileiros.



Deixo um recado final. Quando uma tragédia se abate sobre uma família, não é mais possível procurar amigos influentes, nem pressionar autoridades para liberarem o “carro do guri” só porque tinha “um sonzinho alto” e que foi recolhido para não perturbar o próximo. E aí, nessa hora, veremos que os contatos e as providências terão que ser tratadas em tristes lugares. É melhor punir agora o infrator para não ter que chorar depois.

Nenhum comentário:

Postar um comentário