15 de setembro de 2011

Aumento do número de vereadores. Quem ganha com isso?

Discute-se, atualmente, o aumento do número de vereadores nas câmaras municipais. Tenho acompanhado opiniões contrárias e opiniões a favor sobre este assunto. É bem verdade que entre a população, as posições contrárias a este aumento chegam a 95%.

Apesar desta esmagadora rejeição, alguns legislativos, contrários à opinião pública, estão, corporativamente, votando pelo aumento do número de vereadores. Dou como exemplo, o vizinho município de Taquara que conta, atualmente, com 10 legisladores e aprovou este aumento para 15, mesmo contrariando a opinião pública daquele município. Fiquei sabendo que um vereador desta cidade recebe seis mil reais de salário, sendo que o presidente da “Casa do Povo” recebe mais 50%, totalizando nove mil reais. Para se ter uma idéia, um professor universitário, desta mesma cidade, com mestrado, doutorado e mais de vinte e cinco anos de sala de aula, recebe em torno de mil e quinhentos reais de salário. Posso comprovar, caso alguém desconfie desta afirmação.
 
Por falar em desconfiança, um integrante da atual administração, aqui de Santo Antônio da Patrulha, postou no Facebook que estranhava a discussão sobre o aumento do número de vereadores. Disse ele, que era hora de pensar na qualidade de nossos representantes, que a representatividade é essencial para a democracia e também, que desconfia dos que julgam o Legislativo pela baixa qualidade de alguns representantes. Vejam a que absurdo chegamos! Nós, contribuintes, que bancamos a conta, somos alvos de desconfiança por parte dos políticos. Não bastassem todos os escândalos patrocinados pela classe política e seus apadrinhados, mais todo o custo da máquina pública bancado com 39% pagos de impostos sobre tudo o que produzimos, ainda somos nós, motivo de desconfiança.

Outro grande absurdo diz respeito à censura que sofrem, atualmente, as empresas do Grupo RBS, pois estão proibidos de citar o nome de um vereador do município de Torres, que foi flagrado pelo repórter Giovani Grizotti, em Foz do Iguaçu, passeando nas Cataratas e fazendo compras no Paraguai em horário do curso que ele, teoricamente, deveria estar frequentando. Este vereador recorreu à Justiça e, absurdamente, teve acatado seu recurso, mesmo tendo admitido ser réu no caso da “Farra das Diárias”. É a volta da censura oficializada pelo Poder Judiciário de Torres.

Lembro que aqui em Santo Antônio da Patrulha, no tempo em que vivíamos na “Nova Cidade”, antes de nos mudarem, da noite para o dia, para a “Cidade Polo”, houve uma polêmica sobre o assunto “cursos e diárias”. Acontece que, naquela ocasião, o mesmo repórter, Giovani Grizotti, entrevistou um vereador local sobre um determinado curso que este teria frequentado. A entrevista foi ao ar no programa “Jornal do Almoço” da RBS, onde o nobre vereador confessou não lembrar nada sobre o conteúdo do curso. Lembro ainda que o repórter insistiu muito para que o vereador relatasse alguma coisa sobre o curso, mas a resposta foi o total silêncio. Depois disso, ainda desconfiam de quem é contra o aumento do número de vereadores nos legislativos.

Fomos surpreendidos, em janeiro de 2008, com a denúncia, que partiu do Ministério Público, de uma possível fraude envolvendo cursos e diárias no Legislativo patrulhense. Na ocasião foram denunciados vereadores e funcionários da “casa”. Lembro que, no ano de 2007, os gastos com cursos e diárias no Legislativo ultrapassaram cento e dez mil reais. Após as denúncias, o gasto, no ano seguinte, pouco ultrapassou dez mil reais. Sem falar no contrato de mais de duzentos celulares que a câmara mantinha com uma empresa de telefonia, cujas linhas estavam distribuídas a vereadores, “amigos” e parentes. Será que fatos como estes, ocorridos num passado recente, aqui nesta cidade, significa representatividade?

Mesmo sendo alvo de desconfiança, quero deixar registrada a minha contrariedade quanto ao aumento do número de vereadores em qualquer município. Não me incomoda este tipo de desconfiança. O que realmente me incomoda é a politicagem, os desvios de dinheiro público e os conchavos tão comuns no meio político. É lamentável ver a saúde pública deficiente, a segurança incapaz de controlar a criminalidade, o ensino público com baixa qualidade, professores e policiais, desumanamente, mal remunerados, enquanto somos obrigados a conviver com legislativos medíocres e muito bem remunerados com o fruto do nosso trabalho. 

Aumentar o número de vereadores significa aumentar também as viagens de turismo a Brasília. Até a marcha dos prefeitos tem servido de pretexto para fazer turismo na “ilha da fantasia”. Se, por um lado, Cuba foi, durante muito tempo, a Disneylândia da esquerda brasileira, Brasília tem se notabilizado por ser a Disneylândia dos vereadores.

Prometo lutar contra o aumento do número de vereadores. Pretendo partir para as redes sociais levantando bandeira contra mais este absurdo patrocinado pelo corporativismo político. Futuramente, farei questão de divulgar o nome, o partido e o número do candidato a vereador que votar a favor do aumento de nove para treze vereadores aqui em Santo Antônio da Patrulha. É imperioso tornar público os nomes destes vereadores e a população patrulhense, que hoje se manifesta contrária a este aumento, na proporção de nove por um, é quem deve julgar se estes futuros candidatos serão ou não merecedores do seu voto.

Diga um grande não ao aumento do número de vereadores. A Internet está se mostrando um instrumento de demonstração da força popular. Diga este não através das redes sociais, nas rodas de amigos, enfim, no meio onde vivemos, pois foi através da indignação popular que déspotas mundiais, recentemente, foram apeados do poder. 

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

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