2 de junho de 2011

Por onde andam os “caras pintadas”?

Esta pergunta eu venho fazendo há muito tempo, desde que começaram os escândalos no governo do senhor Luiz Inácio Lula da Silva.

Caras pintadas foi um movimento popular composto de jovens, em sua maioria, que serviram de massa de manobra da esquerda brasileira com o objetivo único de derrubar o presidente Fernando Collor de Melo.

Fernando Collor, no auge do seu poder e glória, estando Presidente da República, em completo êxtase e delírio total, bradou para o Brasil inteiro ouvir que não imaginava o poder que possuía um presidente neste país. Collor disse naquela ocasião: “O presidente pode tudo neste país, os seus poderes são ilimitados, estou até assustado com tanto poder”.

Confesso que, na época, fiquei um pouco confuso e muito mais assustado do que o presidente “caçador de marajás”. Como assim poder ilimitado? E a Constituição, o Legislativo e o Judiciário onde ficam? “Poder tudo” significa passar por cima destes poderes e isso remete a uma ditadura. Além disso, a conduta reta, a austeridade, a ética e a honestidade que um Presidente da República deve ter no exercício do mandato, são condições imperiosas para o cargo e estão acima de qualquer poder.

O tempo se encarregou de provar que Fernando Collor tinha razão. Quem estava errado era este colunista. Pode tudo sim, um presidente da República nesta Pátria Amada Brasil. Lula provou que pode. Um presidente tem poderes absolutos no Brasil, basta para isto ter uma base de apoio parlamentar que garanta este poder. E esta base parlamentar Lula teve de sobra e Dilma está tendo também. Esta base de apoio foi o que faltou a Collor de Mello e, por esta razão, ele foi apeado do poder na base do grito dos “Caras Pintadas” sob a regência da Rede Globo de Televisão. Se o Fernando Collor pertencesse ao PMDB ou ao PT e tivesse caído nas graças da “Vênus Platinada”, leia-se Rede Globo, jamais seria derrubado do poder, isto eu posso garantir sem medo de errar.


As peripécias do Paulo Cezar Farias como tesoureiro de campanha do Collor, as doações e outras maracutaias daquele tempo foram coisas de amadores diante da corrupção dos dias de hoje. O “Mensalão”, também conhecido como “Valerioduto”, envolvendo a compra de parlamentares, transformou o tesoureiro do Collor em simples ladrão de galinhas. O esquema arquitetado pelo todo poderoso, Ministro Chefe da Casa Civil do governo Lulla, José Dirceu, mostrou o quanto PC Farias ficou devendo em "habilidade" na função para o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, o “companheiro” Delúbio Soares. Paulo César Farias está morto, morreu ou foi morto. Delúbio está de volta ao PT coberto de honras e glórias, deu a volta por cima, esperou a poeira baixar e voltou triunfalmente.

A compra de partidos políticos como o PP, PMDB, PDT, PCdoB e PSB entre outros, por parte do PT, em troca de ministérios e estatais garantindo, com isto, empregos para a companheirada, é a chave de tudo, a chave que garante o poder absoluto e total que o Collor pensou que tinha.

Mas, afinal de contas, por onde andam os “nacionalistas” que foram para as ruas gritar “fora Collor”? Por que não gritaram “fora Lula”, quando estourou o escândalo dos mensaleiros? Por que não gritam agora “fora Palocci” como gritaram em frente da casa da ex-governadora Yeda Crusius, querendo saber a origem do dinheiro que possibilitou a compra da casa? Por que estes hipócritas não sobem a rampa do Palácio do Planalto exigindo a demissão do atual Ministro Chefe da Casa Civil? Apenas para refrescar a nossa memória, a casa da senhora Yeda Crusius custou perto de oitocentos mil reais, o apartamento do senhor Antônio Palocci, custou seis milhões e seiscentos mil reais.

A justificativa do ministro para o seu surpreendente enriquecimento é o faturamento da sua empresa de consultoria. Pergunto: consultoria ou tráfico de influências? Este caso será, com toda a certeza, abafado como foram abafados tantos outros escândalos que já estouraram dentro do governo do partido que “reinventou” a honestidade, a ética e a moral na política brasileira.

Quanto aos caras pintadas, algumas hipóteses podem ser levantadas nesta hora. Ou, estes arautos da honra, da ética e da moral na vida pública, demonstradas durante as manifestações que culminaram com a derrubada de um presidente corrupto, certamente não moram mais no Brasil e por esta razão não sabem o que está acontecendo por aqui, ou estão muito bem empregados no atual governo e comungam com a máxima de que “os nossos podem saquear os cofres públicos, os adversários nunca, jamais, em condição nenhuma.”


Para mim são todos hipócritas, cretinos que calam como calou o filho de um grande escritor gaúcho, que matou a sua criação, a “Velhinha de Taubaté”, para que ela não falasse do governo da sua ideologia como fazia no tempo dos militares.

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