1 de junho de 2011

O Quinto Mês do Ano

Com o final do mês de maio, muitos acreditam que, desde o início do ano até agora, nós trabalhamos somente para pagar impostos. A carga tributária no Brasil, como sabemos, bate nos trinta e nove por cento, sobre tudo o que produzimos. Por esta razão, segundo alguns, trabalhamos até agora somente para pagar impostos.

A Associação da Classe Média (ACLAME) informa que nós pagamos mais de setenta e quatro tipos de impostos somente na esfera federal. Somando-se a estes, ainda temos mais os impostos estaduais e municipais, totalizando quase dois quintos da nossa renda bruta. 

Os governos, em todos os níveis, ainda não estão satisfeitos com esta arrecadação e através dos seus “gestores públicos” insistem em criar mais impostos. O pacote que o governador Tarso Genro, enviou para a Assembléia Legislativa criando, entre outras coisas, a tal de “Taxa de Vistoria Veicular Ambiental” é um destes exemplos. O Governo Federal por sua vez, sonha com a volta da “CPMF”, já tendo encarregado o seu “primeiro aliado” José Ribamar Sarney de Araújo Costa, para tratar do assunto. Sarney, para quem não sabe, está trabalhando com afinco junto à “base aliada” no sentido de cumprir a ordem dada pelo Palácio do Planalto. 

Engana-se, redondamente, quem pensa que trabalhamos os cinco primeiros meses do ano somente para pagar impostos. Posso afirmar que trabalhamos mais do que cinco meses para sustentar a máquina pública, os políticos e a corrupção neste país. 

Com esta pesada carga tributária teríamos que ter em troca saúde, segurança e educação públicas à altura do que pagamos. Na verdade, o que recebemos em troca não é nada disto. A educação pública no Brasil é de má qualidade, não por culpa dos professores e sim por culpa dos governos em todos os níveis. O desabafo da professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, que ocupou os noticiários de todo o Brasil, demonstra como os nossos governantes tratam a educação em nosso País. A saúde pública é um caos, basta alguém se dispor a visitar hospitais públicos e emergências médicas para constatar como a população é tratada nos atendimentos médicos do SUS pelo país a fora. Isto sem falar em tempo de espera para uma simples consulta, ou a marcação de exames que, em muitos casos, ultrapassam dois anos. 

E o que dizer da segurança pública? Na verdade, não temos segurança pública nesta terra chamada Brasil. Nós, cidadãos de bem, que o Governo Federal insiste em desarmar, estamos jogados a nossa própria sorte. Somos sobreviventes no meio de tanta insegurança. Temos Policiais mal remunerados, mal equipados, destreinados e em número insuficiente para um efetivo combate ao crime organizado. Estes fatores, somados a uma legislação branda que mais protege do que pune a bandidagem, aumenta ainda mais esta insegurança. É comum, tomarmos conhecimento de prisões de vagabundos que são presos e soltos quase na mesma hora, voltando às ruas para roubar e matar. Vários são os relatos de policias que chegam a prender o mesmo marginal quatro, cinco ou mais vezes. De quem é a culpa afinal? A culpa é da legislação que é falha e da justiça que é lenta e que manda soltar bandidos porque as cadeias estão super lotadas. Soma-se a isto, a corrupção existente no meio policial e temos um quadro caótico que dá razão de sobra para que o cidadão se sinta completamente desprotegido.

Por que pagamos impostos mais do que cinco meses de trabalho por ano? 

Porque, se queremos uma educação melhor para os nossos filhos, temos que recorrer a escolas particulares. Se quisermos tratar da nossa saúde e da saúde dos nossos filhos, consultas médicas, exames e internação hospitalar somos obrigados a pagar planos de saúde que custam muito caro. Na questão segurança, pagamos segurança privada, instalamos alarmes e câmaras de monitoramento, nos protegemos com grades e fazemos seguros de todo o tipo para salvaguardar o nosso patrimônio. Enquanto ficamos atrás das grades para nos proteger, a bandidagem anda solta pelas ruas. 

Todo este custo com saúde, segurança e educação sonegado pelo Estado, nós pagamos com o trabalho dos outros sete meses do ano.            

A nossa Constituição diz que: “Todo o cidadão tem direito à saúde, segurança e educação.” Mas, isso fica apenas no papel, pois o governo ao descumprir esta lei, nos impõe uma clara e injusta bitributação. Por esta razão, afirmo que pagamos bem mais do que cinco meses de trabalho, por ano, em impostos, sobre tudo o que produzimos.

Mas, qual a razão de pagarmos tanto imposto e não recebermos nada em troca?

Em primeiro lugar pagamos um alto custo em salários e mordomias tanto para o executivo, como para o legislativo e para o judiciário. Os gastos com os Governos Federal, Estadual e Municipal são altíssimos e superam longe os países mais ricos do Planeta. Temos os parlamentares mais caros do mundo e mais corruptos também. Bancamos os projetos sociais do Governo Federal, bolsa família entre outros, maior fonte de votos do Partido dos Trabalhadores (PT). As despesas com salários e os gastos com o Poder Judiciário são altos também.  
 
Enfim, a máquina pública no Brasil corrói grande parte do dinheiro que pagamos em impostos. A cada ano nós trabalhamos, e contribuímos mais para o governo. Do jeito que a coisa vai, logo vamos trabalhar seis, sete ou mais meses para sustentar esta elite privilegiada, sem recebermos nada em troca.

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