24 de março de 2011

Movimento social ou bando de saqueadores ?

Como numa orquestra bem afinada, onde a harmonia dá a nota, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) juntamente com os governos, federal e estadual funcionam em total sintonia. Podemos até construir uma rima: “Em ano de eleição não tem invasão”.
 
             Passados os dois primeiros meses do “novo” governo, o pessoal das foices, enxadas, pedaços de pau e bonés vermelhos voltaram com a sua sede de invasões. Desta vez foi  a Fazenda Palermo em São Borja. 

             A ordem para invadir esta fazenda aconteceu após a direção do MST ter sido informada, pelos seus aliados do Palácio Piratini, que as chances de fazer um bom acordo com o governo do Estado estavam garantidas. Foi o sinal verde para a ação dos invasores. 

              No inicio do ano, o bando denominado Via Campesina andou promovendo uma série de protestos no centro de Porto Alegre, na frente de alguns prédios públicos, ligados diretamente com as questões agrárias. Foi o aviso de que as ações estavam por começar.

              No caso da fazenda invadida, lá em São Borja, o bando reivindica a conclusão do processo de desapropriação da área de 1.200 hectares iniciada no governo do senhor Olívio Dutra. Atualmente, o processo de desapropriação se encontra no Superior Tribunal de Justiça (STF). O legítimo proprietário da área recorreu à justiça contestando o valor da desapropriação. Em nenhum momento desta invasão, os “líderes” do movimento desafiaram o governador Tarso Genro. Só para se ter uma ideia do prestígio que esta gente goza, atualmente, dentro do governo do Estado, o Palácio Piratini enviou a São Borja, o Secretário de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, o procurador-geral do Estado e um coronel da Brigada Militar. Convenhamos, somente quem tem muita bala na agulha invade uma propriedade alheia e recebe esta deferência toda. O deslocamento destas autoridades até São Borja, a mando do governador do Estado, certamente, será com o objetivo de ouvir as condições para a desocupação, que, com mais certeza ainda, serão aceitas incondicionalmente.

              A Juíza da 2ª Vara Cível de São Borja irá “apreciar” o pedido de reintegração de posse da fazenda caso os invasores não saiam da propriedade. Sou capaz de prever  como tudo vai acabar. O secretário, pessoa ligada diretamente com estes movimentos, vai pedir calma para que os “trabalhadores” possam sair em paz. Talvez, até aconteça um churrasco de confraternização para comemorar o feito. Por outro lado, o legítimo proprietário da fazenda invadida estará providenciando no pagamento dos advogados que ingressaram na justiça para reaver o que é seu, enquanto aguarda a desocupação da sua propriedade para poder contabilizar os prejuízos causados pelo bando de invasores. O mais grave é que os invasores não irão responder pelos crimes cometidos, afinal de contas, o MST não tem personalidade jurídica,  logo, juridicamente, “não existe". 

            Há alguns anos, um bando desses, assassinou o PM Valdeci em plena luz do dia. Os assassinos foram escondidos da polícia, dentro da Prefeitura Municipal, de onde saíram barbeados, de terno e gravata, portando pastas de executivo, numa manobra muito bem orquestrada pelos ocupantes do Paço Municipal. Mais adiante, julgados e presos por assassinato, foram cumprir suas penas no Presídio Central, onde receberam a visita de integrantes dos “direitos humanos” que, além da visita de apoio para saber como estavam sendo tratados, fizeram a entrega de flores aos bandidos.

           Em outra oportunidade, mulheres da via campesina tomaram de assalto o horto florestal da Aracruz Celulose no município de Barra do Ribeiro e, com uma fúria animalesca, destruíram  milhares de mudas, instalações, equipamentos e tudo o que encontraram pela frente. Foram destruídos estudos genéticos, fruto de pesquisas de mais de vinte anos, sequestraram funcionários e os mantiveram sob a mira de armas. Cometeram todos esses crimes, foram embora e até o dia de hoje não aconteceu nada com esta gente. 

             Quantas ações como estas já foram cometidas por esse pessoal? Já se perdeu a conta das invasões, saques e todo o tipo de crimes cometidos por esses bandos, que os governos da "Estrela Vermelha" e seus aliados insistem em chamar de “movimentos sociais”
             Enquanto o governo do Estado envia autoridades de alta patente para negociar com invasores lá em São Borja, como diz a manchete de um grande jornal da capital, “MST e Estado acertam desocupação de área”, o preço do arroz chega ao nível mais baixo. No dia de ontem, 22 de março, a cotação do saco de cinquenta quilos, em Santa Maria foi de R$ 50,00 e em Cachoeira do Sul, minha cidade natal, R$ 20,50. Sendo que o preço mínimo estabelecido pelo governo é de R$ 25,80 por saca.

              Contudo, a turma dos movimentos sociais não precisa se preocupar com isso, pois o arroz e os outros itens que compõem a cesta básica continuarão sendo entregues a eles religiosamente. Afinal de contas, o Brasil através do trabalho de parte da população arca com a conta toda.

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