Inicialmente vou explicar aos leitores, a razão do tema escolhido para esta coluna. Há muito tempo venho estudando a história Riograndense, tendo iniciado pela Revolução Farroupilha, que na década de 80 passei a pesquisar sobre a grande epopéia dos heróis farroupilhas. Na seqüência, o estudo foi dirigido à Revolução Federalista de 1893.
Nesta revolução, considerada a mais sangrenta de todas as revoluções regionais, foram iniciadas as degolas e muitos casos a respeito de acontecimentos, ouvi dentro da minha própria casa, pois meu avô paterno, Pedro Dutra da Paixão, teve participação ativa neste episódio. Meu pai Orlando que mais tarde foi expedicionário da FEB, na Itália, me contou muitas histórias a respeito do meu avô, homem do lenço colorado, fiel a seu grande líder, Gaspar da Silveira Martins, em defesa de uma causa lutou contra a ditadura castilhista. Os desdobramentos da, Revolução Federalista chegam até as revoluções de 1923 e 1924, onde dois tios, irmãos de meu pai, de nomes Inocêncio e Artur, tomaram parte ativa sob o comando do grande general maragato Honório Lemes. E é sobre esse lendário personagem que escrevo esta coluna.
(Nesta fotografia, o Estado maior dos Revolucionários, identificáveis da Revolução de 1923. Da esquerda para a direta: Doutor Baptista Luzardo, Coronel Nunes de Abreu, General Honório Lemes da Silva.
Entre os irmãos Timbaúva, o Coronel Adalberto Correia com o chapéu de aba larga na mão.
Comandante da força de Quaraí, irmão de Otávio Correia, um dos 18 homens que cumpunham os revoltosos do Forte de Guanabara em gloriamente sacrificado, único civil.)
A Honório, é atribuída a seguinte citação: “Quero leis que governem homens e não homens que governem leis.” Nascido em Cachoeira do Sul, portanto meu conterrâneo, em 23 de setembro de 1864, foi criado no Distrito de Barro Vermelho. Aos doze anos foi morar em Rosário do Sul. Era o mais velho dos irmãos cujo pai que casou duas vezes e da segunda esposa oito filhos que Honório ajudou a criar, pois era homem bom e possuidor de grande senso familiar. Nenhum de seus irmãos foi seu correligionário. Não era homem de estatura avantajada, segundo consta, freqüentou banco de escola somente para aprender a ler e escrever, no entanto tinha grande cultura política, conhecia profundamente as idéias republicanas e federalistas e repudiava a ditadura ideológica de Rafael Cabeda.
Honório possuía um grande senso humanitário. Contam que certa vez suspeitou de um uruguaio que apareceu no Caverá para alistar-se entre os maragatos, mandou cercá-lo no temível “Quadrado Humano” que antecedia às execuções. “General Honório, implorou o castelhano, eu queria que o senhor, antes de me matar, ouvisse três coisas: primeiro avise minha família que fui morto; segundo que foi uma grande injustiça; terceiro, que levem o meu corpo para ser enterrado no Uruguai.” O General, emocionado, deu-lhe um forte abraço, chamou alguns homens de sua inteira confiança, ordenando-lhes que levassem o homem pra Artigas, no Uruguai.
Líder carismático, Honório comandou tropeiros, peões, fazendeiros e profissionais liberais. Homem de caráter reto, forjado em tropeadas e nas intempéries da vida simples, despojado de ambições materiais, avesso a qualquer tipo de corrupção, que já naquela época corria solta no governo corrupto, totalitário e ditatorial de Borges de Medeiros. É de conhecimento da gauchada as fraudes cometidas em eleições, onde, segundo se comenta, até os mortos votavam para manter o borgismo no poder.
Certa vez, o grande líder Assis Brasil, fez correr entre os fazendeiros da época, um livro ouro para arrecadar fundos que manteriam a causa revolucionária. Esse dinheiro foi mandado entregar a Honório, que recusou com veemência, tendo sido necessária, por parte do próprio Assis Brasil, a apresentação de um documento dando conta da origem da soma arrecadada. Por ter sido, durante toda a sua vida, um tropeiro que conduzia gado aos frigoríficos de Santana do Livramento e Rio Grande, tendo adquirido, por parte dos fazendeiros, enorme confiança. Contam que durante uma tropeada, quando morria uma rês, Honório retirava a marca do animal para prestar contas ao fazendeiro, que lhe tinha confiado a tropa.
Conhecia a região como a palma de sua mão. Conhecia tão bem o labirinto que é a Serra do Caverá, em Rosário do Sul, que lá tornou-se quase uma lenda, como guerreiro que nunca abriu mão das idéias que defendia. Seu grande feito foi ter tomado a cidade de Alegrete, na grande batalha do Rio Ibirapuitã, em 1º de março de 1923, onde entrou triunfalmente, sendo aclamado e ruidosamente ovacionado pelas ruas da cidade. Pôs a correr o intendente local e empossou uma junta governativa para administrar a cidade, presidida pelo médico, Doutor Alexandre Lisboa, porém ficou pouco tempo na cidade, pois rumou para Uruguaiana, com a intenção de tomar a cidade.
(Serra do Caverá)
(Rio Ibirapuitã - Alegrete/RS)
Assim como esses e tantos outros fatos, conduziram a vida do grande General Honório Lemes, que ao final da Revolução de 1924, onde foi derrotado e preso em Livramento, foi colocado em um trem, que rumou para Cacequi, tendo ocupado um vagão, sozinho e permanecido armado, pois nenhum adversário teve a coragem de lhe desarmar. Nessa ocasião, um outro, trem que partira de Uruguaiana, conduzindo seu arqui-inimigo o General Flores da Cunha, chegou em Cacequi e lá estava o general Honório dentro do vagão, à espera de Flores, que tão logo chegou, dirigiu-se a Honório, que imediatamente pôs-se de pé e, em gesto de homem digno, entregou a Flores da Cunha, sua espada e revólver, ao que Flores, recusando-se a receber disse: “ Conserve suas armas, General, elas lhes pertencem e estão em boas mãos”. Assim foi Honório, que ao longo da vida, foi respeitado e admirado até por seus inimigos.
Findas as revoluções, certa vez, em Rosário do Sul, perguntaram a Honório: “E agora General, que as revoluções acabaram o que o senhor irá fazer?” Ao que ele respondeu, de pronto: “ Vou voltar a tropear, sou um homem que preciso trabalhar para me sustentar.”
Esta é uma parte da história da vida digna de um homem que não arredou pé dos seus ideais e da causa que defendeu com toda a sua convicção. Presto essa homenagem a este ilustre conterrâneo, em que procuro me espelhar sempre, conduzindo a minha vida, tentando imitar esse herói maragato, de quem a minha família inteira foi correligionária no grande Partido Libertador, do lenço colorado, que muito mais do que um lenço, foi uma bandeira para mim e para minha gente.





Muito legal o post... também sou grande admirador do Honório e como o senhor disse, procuro me espelhar nele para manter minha vida reta juntamente a minha conduta. Gostaria que o Sr. desse uma olhada no artigo que escrevi na faculdade: http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/o-caudilhismo-maragato-na
ResponderExcluiré só entrar nesse link.
Um grande abraço do também maragato Pablo Dobke.
Sou um grande admirador do General Honório Lemes,já li vários livros sobre ele,homem humilde,lutava por seus ideais,pena que muita gente não sabe quem foi este grande homem,o Rio Grande deveria render muitas homenagens a este grande General.
ResponderExcluirNão podia deixar de dizer que ´Honório Lemes foi irmão de minha Bisa, Clemência Lemes, nunca ouvi direito a história desse antepassado, mas depois de grande procurei saber ao certo e tenho muito orgulho dele...um maragato de muita coragem e brio...
ResponderExcluirTambem sou parente desse heroi pois sou bisneto da filha de sua irma
ExcluirOi Glória, estou tentando montar a árvore dos descendentes de Honório Lemes. Se puderes ajudar enviando os nomes completos, parentesco e data de nascimento e óbito ajudaria muito. Meu email é clmorales.3l@gmail.com
Excluirmuitoo show poder aprender um pouco mais de um de nossos lederes
ResponderExcluirBuenas Nelson,
ResponderExcluirCoincidentemente, também sou Dutra e neto de um Pedro Dutra, peleou ao lado de Honório Lemes em 23 e ainda vive com 103 anos, tenho escutado por meu avô, essas e outras histórias quase esquecidas mas de grande importância.
Parabéns pelo blog, Abraços
Ricardo Dutra Rocha - Arquiteto
Onório Lemes era tio de minha mãe, Emília Lemes da Silva ela sempre nos falava dele, amei esta matéria, nos ajuda a conhecer melhor nossos antepassados. Parabéns pelo blog,
ResponderExcluir05/07/2011
Voce sabe me dizer de qual cidade era tua mãe e se tinha irmãos..
ExcluirBUEEEEEEEEEEEEENAS! Parabéns pela página. Sou radialista. Produzo e apresento o "Buenos Dias" (das 06h às 08h) que, a cada dia, homenageia um município. Hoje, destaquei a biografia de HONÓRIO LEMES e li seu artigo sobre o mesmo. RÁDIO COM PIRATINIENSE FM 87.9 www.radiocomfm.fm "Nenhum povo é dono do seu destino, se antes não é dono de sua cultura". (JOSÉ MARTÍ, patriota e escritor cubano)
ResponderExcluirMeu contato: juarez.piratini@yahoo.com.br. Será uma alegria receber mais causos sobre Honório Lemes e outras histórias pois destaco, também, a cada edição, a literatura oral.
Permita-me fazer algumas correções: Honorio Lemes nunca trabalhou para a Swift da cidade de Rio Grande, tampouco nunca nem chegou perto dessa cidade portuária. O frigoríficos para quem Honório tropeava eram o Swift de Rosário do Sul e Armour e Wilson de Santana do Livramento
ResponderExcluirEM 24 HONÓRIO,JUNTAMENTE COM ZECA NETTO TOMAM
ExcluirA CIDADE DE PELOTAS QUE PELO QUE ME CONSTA FICA BEM PRÓXIMO A RIO GRANDE.
O NOME CORRETO DO LEAO DO BOCAVERA ERA HONORIO LEMOS, MEU AVO ERA PRIMO DELE DORIVAL DA SILVA LEMOS, MEU TIO AVO SE CHAMAVA NICOLAU DA SILVA LEMOS, AMBOS NASCERAO EM CACHOEIRA DO SUL, TENHO ORGULHO DE SER LEMOS TAMBEM, MEU AVO PARTICIPO DA REVOLUCAO DE 1932, MEU AVO DIZIA QUE TODOS TREMIAM QUANDO ELE CHEGAVA PERTO DE ALGUEM.
ExcluirLamento desapontá-los mas o correto é LEMES mesmo.Os poetas e trovadores, por questão de rima, chamavam o ídolo de Honório ''Lemos''
ExcluirHONORIO LEMOS MAL CONSEGUIA ESCREVER SEU NOME POIS ERA ANALFABETO, SINTO DESAPONTA-LO.
ExcluirMEU AVO ERA PRIMO DO HONORIO LEMOS, ESTE O NOME CORRETO DO LEAO DO CAVERA, MEU AVO PARTCIPOU DA REVOLUCAO DE 1932 SE CHAMAVA DORIVAL DA SILVA LEMOS, MEU AVO QUE NASCEU EM CACHOEIRA DO SUL
ResponderExcluirSou o sobrinho tataraneto do leao do cavera minha bisa se chama donata izibila da silva
ResponderExcluirOlá, meu pai se chama BRENO LEMOS e possí 96 anos. Cresci ouvindo falar de HONÓRIO LEMOS que segundo meu pai seria irmão do avô dele. Não sei ao certo pois ainda não fiz uma pesquisa mais aprofundada, porém, sei que meu bisavô lutou em uma dessas revoluções que meu pai não sabe qual, sendo que ainda tenho a arma que ele usou. Fico feliz que ainda existam pessoas que lembram disso. Parbéms.
ResponderExcluirmarcos7lemos@hotmail.com
Em resposta as suas apócrifas mensagens, a primeira datada de 18/07 de 2013, e a segunda desta segunda feira, 5/08/2013, penso que se faz necessário tecer um breve comentário. Em nenhum momento eu escrevi enaltecendo a cultura adquirida nos bancos escolares pelo general Honório Lemes ( não Lemos) conforme você erradamente escreveu. Veja o que eu escrevi e tire as suas próprias conclusões: “Era o mais velho dos irmãos cujo pai se casou duas vezes e da segunda esposa teve oito filhos que Honório ajudou a criar, pois era homem bom e possuidor de grande senso familiar. Nenhum de seus irmãos foi seu correligionário. Não era homem de estatura avantajada, segundo consta, frequentou banco de escola somente para aprender a ler e escrever, no entanto tinha grande cultura política, conhecia profundamente as ideias republicanas e federalistas e repudiava a ditadura ideológica de Rafael Cabeda” Veja que, por um descuido, talvez você não tenha percebido esta parte onde descrevo a formação escolar do General Honório Lemes. Quando você se refere ao trem que partiu da estação Santa Rita, sinceramente acho que você pegou o trem errado... O Trem a que me refiro no texto é outro, as estações são outras e os passageiros deste comboio, igualmente, são outros. A propósito, quem é “Prechi” de Barcelos que você diz ser passageiro deste trem??? Na verdade, conheço o coronel Walter Peracchi de Barcelos, que foi governador do Rio Grande do Sul. Veja, além de uma série de erros grosseiros de português, você escreve de forma anônima, apócrifa, covarde. Quanto aos seus antepassados terem participado dos dois lados, até aí nada de errado, Agora, o problema fica por conta da “história oral deles” que você diz ter ouvido. Quem sabe se você recebesse estas informações através de supositórios, ao invés de oral, o resultado histórico, lhe teria sido mais útil.... Neste caso, as defecadas seriam menores... Por fim, um recado: Escrever sem assinar, deforma a personalidade e demonstra falta de caráter... Pense nisso. Ah! Aprenda um pouco de português e não se esqueça mais de assinar tudo o que escrever...
ResponderExcluirNelson de Moraes Dutra
Muito bom o seu post...porém ao TENTAR adentrar Alegrete ele foi refutado no Combate da Ponte do Ibirapuitã pelas tropas de Flores da Cunha e Oswaldo Aranha, Honório não tomou a cidade, muito menos expulsou o intendente...ele foi expulso no combate por um contingente bem maior do o que dele. Fica o Registro!
ResponderExcluirSrs, Não é Honório Lemos é Lemes.
ResponderExcluirMuito bom! Meus pais são da serra do cavera e hoje morão em santana do livramento!!!! Tenho muito orgulho em ser gaucho!!!
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