25 de maio de 2010

É tarefa fácil vigiar o cidadão de bem

Os governos federal, estadual e municipal, ferozes arrecadadores criam mecanismos cada vez mais eficientes e sofisticados para vigiar a vida de todos nós contribuintes. No caso da entrada de produtos vindos de fora do país esta afirmação fica ainda mais clara. A prova disto está quando viajamos para a fronteira onde do outro lado existem os famosos “free-shops” ou zona franca como conhecemos, onde não podemos passar da cota estipulada pela receita federal de trezentos dólares por pessoa, caso estas compras ultrapassem a este valor somos obrigados a recolher aos cofres públicos cinquenta por cento do valor excedido se não quisermos correr o risco de ver as compras apreendidas quando da passagem pelas vigilantes aduanas brasileiras.

Quem de nós já não passou por este drama quando do retorno de uma viagem a Rivera no Uruguai, por exemplo? Acontece que o cidadão de bem que viaja num final de semana saindo aqui de Santo Antônio da patrulha juntamente com um grupo de amigos em uma excursão organizada pelo Marcos Brígido, por exemplo, tem como objetivos únicos se divertir no cassino, comer uma parrillada e comprar alguns produtos ofertados nos free- shops localizados na Avenida Sarandi e arredores. Além é claro, poder desfrutar de alguns momentos de lazer e descontração na confeitaria City, degustando uma “Zillertal” bem fria servida pelo Alfredo.


Acontece que enquanto nós participantes de um grupo destes estamos sujeitos a fiscalização rigorosa de parte da Polícia Federal, que nos toma mercadorias como, perfumes, bebidas e eletrodomésticos comprados a preços bem menores do que no Brasil, pois como sabemos estas mesmas mercadorias vendidas aqui custam bem mais caro, chegando a custar até três vezes mais pela alta carga tributária cobrada sobre os mesmos produtos comercializados no Brasil, razão pela qual justificadamente o governo brasileiro seja adjetivado de “feroz arrecadador”.

Um grupo composto de pessoas comprometidas com a cidadania e, cumpridores de suas obrigações para com o estado, e que, vão e voltam pelo mesmo caminho, até porque agem de boa fé, e assim procedendo acabam sendo facilmente vistoriados pelas autoridades aduaneiras onde qualquer deslize é severamente punido com todo o rigor da lei. Pois esta mesma fronteira serve de rota para o tráfico de armas e de drogas que alimentam o crime organizado em todo o país.

No entanto este mesmo estado, que vigilante fiscaliza um “chibeiro” dos tempos modernos se mostra incompetente para combater esta pratica que é do conhecimento de todos.
Quantas vezes já lemos nos jornais a respeito da entrada de armas e drogas passando por Rivera no Uruguai e Santana do Livramento no Brasil? Onde está à investigação e o combate aos criminosos que agem quase que impunemente na fronteira? É bem mais cômodo e fácil vistoriar veículos que voltam da fronteira e aprender perfumes e outros produtos do que percorrer distâncias no encalço de quadrilhas organizadas que ganham muito dinheiro na prática de crimes que rendem muito dinheiro, de longe se comparam com uma cota excedida por um turista de fim de semana.

Comento sobre este assunto para demonstrar o descaso das autoridades com a segurança do cidadão que paga uma quase quarenta por cento do que produz e, que vive sem uma segurança pública a altura do custo em impostos cobrado pelo estado.

Apenas para dar um exemplo do que está ocorrendo nos dias de hoje aqui na “Cidade Polo” um município com trinta e oito mil habitantes está já, a algum tempo sem contar com um delegado titular na delegacia de polícia do município. Dizendo isto imagino dar a dimensão deste descaso todo para com a população. Onde está a investigação para saber de onde vem a droga que abastece a distribuição e o consumo do “crack” e outras drogas aqui em Santo Antônio da Patrulha?

De nada adianta a sociedade se organizar e fazer a sua parte, se o estado não cumprir com seu papel de combater o crime organizado com eficiência. Todos nós sabemos que as drogas sejam quais forem, percorrem um caminho para chegar até entre nós e é neste ponto que o estado tão eficiente para controlar a entrada de mercadorias compradas nos free- shops uruguaios, se mostrar frágil e alega não ter condições, dinheiro, viaturas e armamento para proteger quem banca a conta toda, e no nosso caso sequer um delegado titular temos no momento.

Por estas e outras é que fico injuriado quando vejo estampadas nos jornais aqui da “terra da Moenda da Canção” fotografias de políticos e de “papagaios de pirata” na maior cara de pau espremidos entre si, para aparecerem em fotografias quando da entrega de alguma viatura paga por nós para servir a população que nada mais são do que migalhas se comparadas com a carga tributária que todos nós pagamos.

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