No último final de semana, o caminhão do Corpo de Bombeiros, aqui de Santo Antônio da Patrulha, sofreu um grave acidente de trânsito. Pelo que se sabe, o veículo ficou seriamente avariado. Como a corporação local conta apenas com este caminhão para o combate a incêndios e outras intempéries, fica a seguinte pergunta: Se acontecer um incêndio ou qualquer outra situação de risco, como é que fica a população?
O comandante da corporação dos bombeiros participou de uma entrevista à Rádio Comunitária, na manhã da última quarta-feira, momento em que foi lançada a campanha para angariar fundos, entre a comunidade, com o objetivo de consertar o caminhão acidentado. Na oportunidade, o militar disse que o veículo colocado à disposição da corporação para substituir o acidentado, se encontra em precárias condições mecânicas, embora tendo uma capacidade maior de armazenamento de água. Ora, por favor! Um veículo de emergência como é o caso, não pode operar nestas condições descritas pelo comandante. Este tipo de viatura tem que estar ”tinindo”. Sempre pronta para poder prestar serviço em situações de emergência, que aparecem de surpresa.
Como a carga tributária que pagamos é uma das mais pesadas do Planeta, não dá para aceitar uma situação como esta. Para onde vai o dinheiro dos nossos impostos?
O Governo do Estado, ao longo dos tempos, se mostra omisso na área da segurança pública, assim como em outras áreas sociais. É visível o descaso por parte dos “gestores públicos” de todas as correntes políticas. Os próprios servidores da polícia civil e militar e dos “soldados do fogo” do Corpo de Bombeiros sabem disso. A prova é que estes mesmos servidores vivem de “pires na mão”, pedindo auxílio à comunidade para suprir aquilo que seria obrigação e dever do Estado.
Taxas de CONSEPRO, convênios e outras campanhas como esta que está sendo lançada agora para consertar o caminhão do Corpo de Bombeiros, já se incorporaram à vida da maioria das comunidades. Qualquer dia destes vão apelar para quermesses, rifas e até bingos visando angariar fundos para a manutenção de viaturas e aquisição de equipamentos para as forças policiais e corpo de bombeiros. Convenhamos, isto é um absurdo. O que os políticos estão fazendo com o dinheiro dos nossos impostos?
O comandante da corporação de bombeiros falou ainda, durante a entrevista, que a Prefeitura mantém um convênio com a Brigada Militar e que esta seria a maior responsável em arcar com a despesa da recuperação da viatura acidentada. Adiantou, porém, que a prefeitura não dispõe de recursos para tal. Creio que o militar recebeu esta informação, oficialmente, do Paço Municipal, tanto que a declarou na rádio.
O que a Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Patrulha fez até agora para solucionar este problema? Decretar “estado de emergência” no município é tarefa das mais fáceis. Será que estão fazendo como fazem os avestruzes escondendo a cabeça no primeiro buraco que encontram quando a “coisa fica preta”? A simples alegação de que a prefeitura não tem recursos para custear este conserto, não serve. Fica fácil demais transferir o problema para a comunidade. Quero lembrar, que lá na campanha eleitoral, enquanto candidatos, os atuais gestores desta cidade tinham solução para tudo. Os arquivos implacáveis do “Cachorro Morto” conservam bem guardadas, as propagandas e as promessas da chapa que venceu as últimas eleições municipais: “Propostas de Prefeito. Palavra de .....”
Posso assegurar que a diferença entre o prometido na campanha e o realizado até agora, é grande. Ainda está faltando muito para cumprirem com o prometido e com a palavra empenhada nos palanques e na propaganda distribuída na época.
Para garantir o direito do contribuinte, os gestores públicos deveriam enxugar a máquina administrativa, diminuir ou até acabar com o empreguismo, economizar em viagens à Brasília e outros gastos desnecessários. Desta forma, iria sobrar dinheiro para atender os anseios da população.
No final da entrevista à Rádio Comunitária, o comandante dos bombeiros pediu para que a comunidade, em forma de presente de Natal, custeasse o reparo do caminhão acidentado e arrematou com a seguinte frase: “Quem não quer ajudar que, pelo menos, não atrapalhe”.
Quero dizer que não vou ajudar. Muito menos atrapalhar. Apenas estou colocando as coisas no seu devido lugar. Conheço bem os meus deveres e os meus direitos, mas é imperioso que fique bem claro: a responsabilidade em manter e equipar estas corporações é dever e obrigação do Município, do Estado e da União. Qualquer outra forma com dinheiro advindo da comunidade é bi-tributação.

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