O sistema trabalha em todas as repartições públicas deste país, sem exceção. Como curioso que sou, fui buscar a origem deste “funcionário” público. Descobri que ele é originário dos países que faziam parte da “Cortina de Ferro”, do falido sistema comunista implantado pela Rússia, denominado, pomposamente, como União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Uma das razões da falência do regime comunista foi, justamente, a burocracia que, diga-se de passagem, nunca foi empecilho para conter a corrupção. Quanto mais totalitários são os regimes, principalmente os de esquerda, maior a corrupção.
Pois, este “sistema” foi clonado centenas, milhares de vezes e enviados para o Brasil. Aqui chegando, prestou concurso público e foi lotear os órgãos públicos desse país.Quem de nós já não passou por algum tipo de dificuldade dentro de uma repartição pública? É comum ouvir-se de um funcionário público, quando ocorre um erro absurdo contra nós, o seguinte: “foi um erro do sistema.”
Há poucos dias, um cidadão foi vítima desse sistema. Acontece que, ao encaminhar um acordo de separação conjugal, junto ao INSS em que seria descontado 30% da sua pensão a sua ex-mulher, por um erro, ao invés de digitar o ano de 2010, o incompetente do “sistema” digitou 2001. Pronto, foi o início do martírio na vida deste cidadão brasileiro. A sua pensão do INSS passou a ser descontada em dobro.
Segundo relato deste cidadão, por mais de sessenta vezes ele foi até a agência do INSS, situada na Vila do IAPI em Porto Alegre, para resolver o problema que foi reconhecido pelo próprio INSS, como falha deste órgão público.
A provação foi tamanha que, mesmo um cidadão pacato como podemos observar em entrevistas sobre o assunto, saiu do sério e, num acesso de fúria, por não ver solução para a falha do “sistema”, ameaçou quebrar tudo e todos dentro da agência do INSS. Imediatamente, o burocrata de plantão acionou a Brigada Militar que prendeu o cidadão e o conduziu até a Polícia Federal, onde foi autuado por desacato a um servidor público no exercício da função. Vai responder processo este brasileiro.. Corre o risco de ser condenado por isso. Tudo por culpa desse “ser” repugnante chamado “sistema”.
O que vai acontecer com o autor do erro causador de tanta dor de cabeça para um aposentado do INSS? Posso responder com base em outros fatos iguais ou piores do que esse. Nada vai acontecer a este servidor público. Absolutamente nada. Pois, todos eles estão muito bem protegidos pela absurda estabilidade funcional, estão blindados para todo o tipo de punição, podem errar à vontade e nada lhes acontecerá. O culpado nestes casos sempre é o “sistema”.
Vou relatar algo acontecido comigo. Confiro, periodicamente, minhas certidões negativas junto aos órgãos públicos: Receita Federal, INSS, FGTS e Receita Estadual entre outras. Levo à risca este tipo de procedimento. Há dois anos, buscando uma certidão junto à Receita Federal, recebi a informação de que o “sistema” acusava estar em aberto o pagamento dos DARFs do “Simples Nacional” referente aos meses de agosto e setembro de 2007. Em seguida, consultei meu contador que confirmou os pagamentos. A Receita Federal informou a necessidade de apresentar os comprovantes de pagamento junto a este órgão público. A título de ilustração: Como é do conhecimento de todos nós, o posto da Receita Federal, aqui da cidade, foi transferido para Tramandaí, fazendo-se necessário o nosso deslocamento até lá. Lamenta-se a pouca força política dos nossos gestores públicos que perdem espaços para outros municípios, deixando órfãos os cidadãos patrulhenses. A Receita Estadual também fechou as portas por aqui, mas, mesmo assim, os gestores públicos aqui da “Terra da Moenda da Canção” continuam afirmando que vivemos numa Cidade Polo. Polo do que mesmo?
Voltando ao assunto dos DARFs, compareci, conforme exigência da Receita Federal à agência de Tramandaí para comprovar que os pagamentos, por eles ditos em aberto, estavam quitados. Ao ser atendido por uma servidora pública, disse-lhe que a cada seis meses retiro certidão negativa de dívidas e que, entre 2007 e 2010 já havia retirado mais de seis destas certidões e nenhum problema fora detectado até então. Como pode isto ter acontecido agora? A funcionária disse ter havido um erro do “sistema”. Tanto foi assim que a servidora conferiu, superficialmente, as guias quitadas que eu estava lhe apresentando. Raios, novamente, este incompetente “sistema” causando transtorno na vida de alguém. Sempre que isto acontece, peço para falar com o “sistema”, quero ter um dedo de prosa com este “sujeito”. Quero perguntar como ele consegue ser tão incompetente. Por que ele continua com a absurda estabilidade funcional? Por que ele não foi demitido por tantos danos causados na vida dos contribuintes que pagam o seu salário? Por que ele continua gozando de tantos benefícios que os trabalhadores comuns não possuem neste país?
O sistema se manifesta nos bancos, oficiais principalmente. Toda a vez que há um lançamento indevido em nossas contas bancárias, a explicação é sempre a mesma: “foi um erro do sistema.” Nos dias de hoje, durante a greve dos bancários, um funcionário especial continua na ativa, encarregado de lançar débitos em nossas contas correntes. Adivinhem que é este funcionário? É o “eficiente” e lucrativo, para os banqueiros, “sistema”.
Nunca, nenhum servidor me deixou falar com este cara. Conclusão: o “sistema é o mais protegido de todos os servidores públicos deste país. Não dá para entender porque estes funcionários culpam sempre o sistema e, estranhamente, nunca revelam como se faz para falar com ele.
Será que, realmente, o sistema é o único culpado por tanto erro na função pública? Ou...

Meu caro amigo.
ResponderExcluirSe fores ao dicionário - qualquer um - verificarás que o vocábulo "sistema" tem uma multiplicidade enorme de conceitos e significações. Coisa assim para gastar dez minutos lendo.Meu Aurelião, p.e., começa definindo: "conjunto de partes", "corpo de doutrinas", "forma de governo", e por aí vai, incluindo no conjunto, corpo ou formato, coisas ou pessoas, concretas ou abstratas que os compõe. Ainda que aceite a diversidade, eu simplificaria o imbróglio semântico: sistema é arranjo repetido de variáveis e procedimentos, capaz de oferecer resultado pré ordenado. Desta definição se deduz: "arranjo" é a ação; "variáveis e procedimentos"; o material a trabalhar; e, resulatado, a consequência. Em termos de atendimento público - que é o tema da tua crônica -, há duas ou três dezenas de anos, o funcionário atráz de uma possante máquina de escrever que subia e descia para as letras maiúsculas ou minúsculas, era o encarregado de, aplicando as regras d'antanho do sistema, devolver ao cidadão atendido, um papel com o atestado, protocolo ou quitação do que fora cumprir. Hoje, a modernidade embebida em informatização, em semelhante situação, exige que o atual funcionário limite-se, as vezes, a simplesmente digitar um CPF, clicar uma teclinha e o papelzinho cai na mão do atendido. Daquele servidor de antes era exigida a responsabilidade pelo mal de ter datilografado errado o que narrava. Já, ao servidor de hoje, que tão somente digitou o CPF, não há como responsabizá-lo pelo mau resultado, afinal, é o "sistema" que redige. De vagar com o andor: O camarada foi pedir uma certidão de casamento, o funcionário errou o CPF, entregou o documento ao marido, que pagou bastante caro pelo serviço do computador, e, quando chegou em casa surpeendeu-se ao ler que sua mulher era outra, que não sua esposa. Se a troca foi boa, ao marido - muito azarado - vão dizer que seu documento está errado. Voltando ao sério. Na definição que ofereci, disse que "arranjo" é a ação. E digitar o CPF foi o homem que o fez, isto é, é o servidor pessoa quem aciona o computador, e, se o fizer errado o aparelho o acompanhará no erro. De sorte que, chega de pagar mico para o sistema etéreo que inventaram para desculpar erros, temos sim o direito de buscar reparação em quem o manobra, ou, em seu patrão.
Um abraço - Victor Sérgio